Educação

Brasileiros revelam com o escaparam da morte

Piauí Hoje

Teresinha

28 de dezembro de 2009 às 02:12


O garimpeiro Fernando Lima, atacado por um grupo de marrons - quilombolas surinameses descendentes de escravos africanos -, desembarcou na noite de domingo em Belém, de um avião da FAB, junto com outros quatro brasileiros, com as marcas da violência do conflito que explodiu em Albina (Suriname) na véspera de Natal: um golpe de facão na cabeça. "Pensei que ia morrer. Os caras estavam furiosos e batiam em todo mundo", contou Lima, bastante emocionado, abraçado a parentes e amigos. Ele disse que embora ferido se atirou no rio para escapar da fúria dos homens que o agrediam. Foi socorrido por estranhos que o levaram para um hospital. Agora, não quer mais saber de voltar para o Suriname. "Não quero mais passar por aquilo. Foi horrível", desabafou. Cinco brasileiros que foram vítimas do ataque no Suriname desembarcam no aeroporto de Belém, no Pará, na noite de domingo (27), após viajarem em avião da FAB Outro paraense, o também garimpeiro Antonio José Oliveira, 24 anos, enfrentou um dos piores momentos de sua vida. Ele e outros 30 brasileiros, como Reginaldo Serra, também paraense que estava no voo da FAB, escaparam de ser mortos por marrons durante os distúrbios. Todos fugiram e se embrenharam numa floresta da região, onde passaram a noite escondidos até que os ânimos se acalmassem e o Exército daquele país restabelecesse a ordem na cidade.Oliveira contou que a fuga para a mata foi um "gesto desesperado". Sem comida e na escuridão, os brasileiros deixaram a floresta somente as 10 da manhã do dia seguinte, quando o Exército já havia dominado a situação. "Tinha gente batendo e jogando brasileiros na água. Caí no rio e ajudei o pessoal que não sabia nadar."PrisõesA polícia do Suriname anunciou ter prendido 35 pessoas envolvidas nos ataques contra brasileiros que teriam deixado pelo menos 16 feridos em Albina, a 150 km a leste da capital, Paramaribo, informou nesta segunda-feira o serviço surinamês da Radio Nederlands, da Holanda. De acordo com a emissora, os detidos são acusados de incêndio criminoso, roubo e estupro de mulheres brasileiras. Em entrevista à Radio Nederlands, o chefe do setor de Justiça da polícia surinamesa, Krishna Mathoera, disse que alguns dos presos já teriam inclusive sido reconhecidos pelas vítimas dos estupros."Este é um crime que precisa ser punido e já iniciamos uma investigação", afirmou."Tensão"Segundo a Radio Nederlands, a polícia e as Forças Armadas surinamesas retiraram 130 pessoas que se esconderam na selva durante os confrontos na região de Albina. Entre elas estão cerca de 80 brasileiros e 20 chineses, levados para Paramaribo.Mathoera reconheceu que Albina, vilarejo de 5 mil habitantes na fronteira com a Guiana Francesa, vive sempre em clima de "tensão"."É uma área de fronteira, com grande mobilidade de pessoas e de mercadorias. Mas a polícia nunca tinha imaginado que o conflito (entre moradores locais e imigrantes) iria escalar tanto", disse."Vamos ter que fazer uma nova estruturação da polícia para garantir a segurança em Albina."No domingo, a ministra interina de Assuntos Estrangeiros do Suriname, Jane Aarland, afirmou que seu governo fará todos os esforços para garantir a segurança dos brasileiros que estão no país.Em entrevista à BBC Brasil, uma representante da embaixada brasileira em Paramaribo disse que pelo menos 16 pessoas ficaram feridas no ataque da última quinta-feira. Três deles ainda estão hospitalizados em Paramaribo.Segundo as autoridades surinamesas, um grupo de brasileiros foi atacado com machados e facões como represália pelo assassinato de um surinamês, supostamente esfaqueado por um brasileiro após uma briga.

Fonte: Último Segundo



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