O indulto de Natal dos presos no Distrito Federal foi marcado por dois homicídios e algumas infrações. Jovens infratores que cumprem medidas socioeducativas também tiveram acesso ao benefício. Dos 154 adolescentes liberados, 67 não retornaram, um cometeu um homicídio e um outro voltou para a reclusão baleado.Já entre os 1.364 detentos do sistema carcerário beneficiados, um assassinou um homem e outro foi detido portando maconha e uma faca. Um detento atirou em uma van, mas não houve vítimas. Ainda nesse grupo, 22 presos não retornaram para a reclusão. Os detentos tinham até as 20h de ontem para se apresentar. O balanço final será divulgado hoje.Um dos homicídios foi praticado por Odílio Miranda de Aragão que, no primeiro dia em liberdade, matou um homem com um tiro e esfaqueou outro em uma festa em São Sebastião, cidade próxima a Brasília. Odílio já cumpria pena pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio e foi liberado por bom comportamento. Ele ainda está foragido.AssassinatoEm 2000, uma jovem de 17 anos e o namorado dela foram assassinados no Distrito Federal por um homem que tinha sido condenado a 90 anos de prisão, mas recebeu um indulto por ser portador do vírus da Aids."Eu acho que o indulto e o saidão são válidos, mas para quem realmente merece, para aqueles que estão dispostos a se regenerar, a viver em sociedade. Mas tem algumas pessoas que todo mundo sabe que não vão se recuperar, que está neles, é o instinto deles. Por isso, eu acho que a avaliação psicológica, o acompanhamento, deve ser constante, mensal. Para eles saberem quem realmente tem condições de ficar nas ruas", afirma Salete Aparecida, mãe da jovem assassinada.Salete ganhou uma ação contra o Estado ao provar na Justiça que houve erro na concessão do indulto. O Tribunal Regional Federal condenou a União a pagar pensão de 10 salários mínimos para o filho da vítima, além de uma indenização de R$ 400 mil.Para receber o benefício, o preso tem que atender a algumas condições, como cumprir pena em regime semi-aberto ou trabalhar fora, mas precisa principalmente ter um histórico de bom comportamento na prisão. Os diretores dos presídios fazem uma lista dos que preenchem esses requisitos e a Vara de Execuções Criminais autoriza a liberação dos presos.
Fonte: G1