Moro e não vejo tudo. Donizetti Adalto dos Santos, apresentador de TV, assassinado às 2h da madrugada do dia 19 de setembro de 1998, completa 12 anos de morte hoje (19/09/2010) e até hoje, o acusado de ser o mandante, ex-vereador, advogado Djalma Filho, não foi julgado. Os outros envolvidos, os ex-policiais civis, Pezão, Ricardo Sousa, além de Sérgio Silva, cada um foi condenado à pena superior a 20 anos de cadeia; todos cumpriram parte da pena e já estão em liberdade pelas ruas de Teresina.A reportagem foi atrás do processo de número 1981215425. É nele que estão todos os autos do caso. O último movimento foi no dia 06 de setembro 2010. O processo foi transferido da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Teresina para a 2ª Vara do Tribunal do Júri de Teresina. Está pronto para ser colocado em pauta. Se esperarem mais 8 anos, Djalma Filho nem poderá mais ser julgado, já que é a data da prescrição.O CRIMEFoi por volta de 2h da madrugada. O palco foi a Avenida Marechal Castelo Branco, nas proximidades da Ponte da Primavera, na zona norte de Teresina. Ali foi assassinado, sem chance de defesa, o homem mais popular da época, Donizetti Adalto dos Santos, que era candidato a deputado federal e fazia dobradinha na chapa com Djalma Filho. Os dois retornavam de uma reunião política em um mesmo carro. Faltavam poucos dias para as eleições.Os assassinos teriam fechado o veículo em que estavam Donizetti e Djalma e meteram bala no polêmico apresentador.Dos acusados, apenas um falta ser julgado. É o advogado Djalma Filho, que na época era vereador de Teresina, e fazia dobradinha com Donizetti: o apresentador era candidato a deputado federal e Djalma a deputado estadual.Na reviravolta das investigações, Djalma acabou sendo acusado de ser o mandante. Ele diz que tudo não passa de perseguição, que também foi vítima e que muita coisa ainda precisa ser esclarecida no caso. Promete revelar "uma verdadeira bomba", durante o seu julgamento.Consta nos autos do processo que o motivo que teria levado Djalma mandar matar Donizetti seria para criar um fato novo e ele (Djalma) conseguir aparecer como sobrevivente herói e melhorar sua performance política, já que não estaria bem nas pesquisas que vinham sendo realizadas.Como diz-se na linguagem popular, "Donizetti estava eleito"; seria o deputado federal mais bem votado em toda a história do Piauí. Seria uma avalanche de votos, uma espécie de Enéas, que representava a esperança do povo desacreditado nos políticos tradicionais. As investigações do caso foram realizadas pelas polícias Federal e Civil.O VELÓRIOQuando o sol raiou no dia 19 de setembro de 1998, o Piauí chorou. A tristeza estampou no rosto de cada piauiense que acompanhou o trabalho combativo e polêmico de Donizetti Adalto. Uma multidão se acotovelou em uma fila quilométrica no Ginásio de Esportes O Verdão. Lá, foi velado Donizetti Adalto dos Santos.Entre a multidão que chorava copiosamente, aparece Djalma Filho, que também chorou sob o caixão de Donizetti Adalto. O julgamento de Djalma Filho é um dos mais esperados dos últimos 12 anos no Piauí.
Fonte: ai5piaui