Educação

Adolescente que pôs fogo em colega se apresenta

Piauí Hoje

Teresinha

18 de março de 2008 às 03:03


A garota de 16 anos que ateou fogo em uma colega de escola na Zona Oeste de São Paulo se apresentou ao Promotor da Infância e Juventude na segunda-feira (17). Ela alegou ter sido agredida.A agressão ocorreu no dia 10 de março. A menina de 16 anos jogou gasolina em uma jovem de 14 anos após uma discussão. A vítima teve 22% do corpo queimado. A agressora deverá ficar internada na Fundação Casa, a antiga Febem. Uma audiência na semana que vem vai definir quanto tempo ela permanecerá na fundação. DefesaO advogado da agressora, Richard Bernardes, já havia afirmado ao G1 que a adolescente tomou a atitude para se defender. Segundo ele, a estudante havia sido agredida por um grupo de amigos do qual a colega agredida fazia parte. "Não foi uma agressão gratuita, foi uma reação", disse. "Ela levou gasolina porque estava com medo do que pudesse acontecer."BrigasO pai da jovem que teve o corpo queimado afirmou que sua filha não relatou envolvimento em brigas, como alega o advogado da suspeita. "Sempre conversamos muito e ela nunca falou que tinha brigado com alguém ou sobre problemas na escola", diz o pai.Segundo ele, sua filha é extrovertida, alegre e brincalhona e fez amigos rapidamente neste colégio, onde começou a estudar no dia 3 de fevereiro. A jovem cursa o 1º ano do ensino médio.Menequelli disse não saber o motivo da agressão, mas acha possível a hipótese levantada pelos colegas de sua filha, de que a suspeita tinha inveja dela. "Minha filha é tida como a garota mais bonita da escola, é alegre, brincalhona", comentou. A jovem de 14 anos está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas com queimaduras de 2º grau.De acordo com Manequelli, o sonho de sua filha é ser modelo, mas ele não sabe se isso será possível por causa das cicatrizes da queimadura. A garota perdeu os longos cabelos louros devido às chamas e tem queimaduras em várias partes do corpo. Para o pai, a garota pode seguir outra carreira, se não conseguir ser modelo. "Sempre disse a ela para estudar, fazer faculdade e só depois pensar nisso [ser modelo]".A família ainda não decidiu se após a recuperação a menina voltará a estudar na mesma escola. AgressãoSegundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a menina de 16 anos teria jogado o conteúdo de uma garrafa na outra jovem, depois de uma discussão. A polícia considera provável que o líquido da garrafa fosse gasolina. De acordo com os policiais, a discussão entre as duas adolescentes ocorreu por volta das 12h30 na altura do número 50 da Rua Ângelo Aparecido dos Santos, no Jardim Arpoador, na Zona Oeste da capital, próximo à escola em que ambas as garotas estudam.De acordo com a SSP, a adolescente de 14 anos saiu do colégio acompanhada por uma amiga de 15 anos, quando encontrou na rua a adolescente. Ao passar por ela, segundo o boletim de ocorrência sobre o caso, a menina de 14 perguntou por que a outra garota a estava olhando "feio". Foi quando a adolescente de 16 anos retirou da mochila a garrafinha e jogou o conteúdo. As duas partiram para a agressão e, durante o tumulto, chamas se formaram no corpo da estudante molhada pelo combustível.Pessoas que passavam pelo local ajudaram a garota a apagar o fogo. A estudante de 16 anos tentou fugir, mas ainda foi parada pela menina de 15 anos, que acompanhava a de 14. A jovem teria retirado da mochila um compasso e ferido o pescoço e o ombro da outra menina. A estudante que foi agredida com o compasso prestou depoimento no 75º Distrito Policial, no Jardim Arpoador. A adolescente de 16 anos responderá por ato infracional. Como ela é menor de 18 anos, não pode responder por crime. O caso será encaminhado à Vara da Infância e Juventude.

Fonte: G1



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