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"Nosferatu" completa 100 anos e ganha nova versão nos cinemas

Filme clássico de terror ganha releitura moderna com direção de Robert Eggers, trazendo uma nova abordagem do Conde Orlok

Sol

21 de janeiro de 2025 às 10:00


Nosferatu (2024)
Nosferatu (2024)

A nova versão de "Nosferatu", o clássico de terror de 1922, já estreou nos cinemas brasileiros, marcando o centenário da original produção dirigida por F.W. Murnau. A adaptação moderna do filme é assinada por Robert Eggers, cineasta de destaque no gênero de terror, conhecido por seus trabalhos em “A Bruxa” (2015) e “O Farol” (2019).

O filme original de Murnau é um dos maiores exemplos do expressionismo alemão, movimento artístico que explorava temas emocionais intensos através de uma estética sombria, com ênfase em sombras e contrastes fortes. A história de “Nosferatu” é uma adaptação livre do livro Drácula de Bram Stoker, porém com modificações nos personagens para contornar as questões de direitos autorais, o que levou à criação do personagem Conde Orlok.

Orlok e Drácula: Duas Versões de um Vampiro Icônico

Ao tentar fazer uma versão expressionista do famoso Drácula, os produtores Albin Grau e Enrico Dieckmann enfrentaram dificuldades para obter os direitos do livro, já que a viúva de Bram Stoker, Florence Stoker, não quis vender a obra. Além disso, na época, a Alemanha já seguia as normas da Convenção de Berna, que garante a proteção dos direitos autorais. Para evitar problemas legais, os nomes dos personagens foram alterados: o Drácula virou Conde Orlok, e a trama manteve a premissa de um homem que vai à Transilvânia negociar com um misterioso cliente, que acaba sendo um vampiro.

A interpretação de Max Schreck como Conde Orlok se tornou lendária, gerando boatos de que ele seria, na verdade, um vampiro. O visual e a personalidade do personagem também foram ajustados para criar uma figura mais assustadora e menos sedutora do que o Drácula original.

O PERSONAGEM “NOSFERATU”, NO FILME HOMÔNIMO DE 1922

Distinções Entre Orlok e Drácula

  1. Luz Solar
    Enquanto o Conde Orlok morre quando exposto ao sol, o Drácula de Stoker apenas perde seus poderes na luz, mas não chega a morrer.

  2. Modo de Morder
    O Conde Drácula prefere morder no pescoço de suas vítimas para transformá-las em vampiros. Já Orlok morde no peito das suas vítimas, matando-as após sugar o sangue.

  3. Aparência e Sedução
    O Drácula de Stoker é sedutor e humano em aparência, podendo até hipnotizar suas vítimas. O Conde Orlok, por outro lado, é monstruoso, com uma pele pálida, garras e feições de morcego.

O filme de Murnau foi inicialmente promovido como uma adaptação do livro “Drácula”, o que resultou em um processo judicial movido por Florence Stoker. Como consequência, todas as cópias do filme foram ordenadas a serem destruídas, levando à falência da produtora Prana. No entanto, algumas cópias foram enviadas para os Estados Unidos, onde o livro de Stoker já estava em domínio público, ajudando a garantir a popularidade do filme.

Contribuições Inovadoras de Murnau

Embora não tenha sido o primeiro filme inspirado em Drácula, “Nosferatu” de Murnau é considerado o marco inicial das histórias de vampiros no cinema. A produção introduziu o conceito de que os vampiros morrem ao serem expostos à luz solar, e estabeleceu técnicas visuais que se tornaram padrão no gênero, como o uso de sombras e a identificação do monstro através da sua silhueta.

Murnau também utilizou efeitos cinematográficos inovadores para criar um clima de tensão e terror, como a taxa de quadros reduzida para aumentar a sensação de velocidade, e o uso de filmes fotográficos negativos para dar um efeito sobrenatural às cenas.

Além disso, Murnau filmou o longa em locações reais, como o Castelo de Orava e a cordilheira High Tatras, criando uma atmosfera mais autêntica para a história.

Lançado pouco após a pandemia de gripe espanhola, o filme reflete o clima de doenças e pestilências que assolavam a época, além de ser uma possível representação das tensões antissemitas no início do século 20, com algumas interpretações sugerindo que o filme usou o vampiro como metáfora para os judeus, vilificados pela propaganda nazista.

Releituras de 'Nosferatu'

Mais de 50 anos após o lançamento de Murnau, o cineasta Werner Herzog trouxe sua versão de “Nosferatu – O Vampiro da Noite” (1979), que foi bem recebida tanto pela crítica quanto pelo público, mantendo a atmosfera sombria e gótica do original. Mesmo com semelhanças com o clássico de 1922, os nomes dos personagens foram alterados para refletir o livro “Drácula” de Bram Stoker, com o Conde Drácula como o vilão. O ator Klaus Kinski interpretou o vampiro, recebendo elogios pela performance.

A versão de Herzog possui 94% de avaliações positivas no site Rotten Tomatoes. Kinski reprisou seu papel como Drácula no filme “Drácula em Veneza” (1988), mas essa produção teve uma recepção muito negativa, com apenas 24% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Além disso, o personagem Conde Orlok foi referenciado em diversas produções culturais, incluindo o episódio “Turno Macabro” (2001) de Bob Esponja Calça Quadrada, que introduziu a figura do vampiro para uma nova geração de fãs.

A história também inspirou o filme “A Sombra do Vampiro” (2000), que brinca com o boato de que Max Schreck realmente era um vampiro. No filme, o ator Willem Dafoe interpreta Schreck, abordando de forma fictícia as filmagens do clássico de Murnau.

O novo "Nosferatu" de Robert Eggers apresenta Willem Dafoe novamente no elenco, mas agora no papel de um caçador de vampiros, com Bill Skarsgård interpretando o Conde Orlok. Estreando nos cinemas dos Estados Unidos em 25 de dezembro de 2024, o remake tem sido amplamente elogiado pela crítica, com 86% de aprovação no Rotten Tomatoes, e arrecadou mais de US$ 48 milhões (aproximadamente R$ 297 milhões) nas bilheteiras.

O lançamento do remake de "Nosferatu" marca uma nova era para este clássico do terror, mantendo a essência da história enquanto atrai novas gerações para a lenda do Conde Orlok.

Fonte: Com informações de NEXO



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