Arte e Cultura

FEIRA DA AGRICULTURA FAMILIAR

Artesão indígena de São Paulo traz colares e pulseiras da tradição Pankararu ao Piauí

Yakekam Pankararu aproveitou uma viagem ao Piauí para apresentar ao público a cultura, a espiritualidade e os artesanatos produzidos pelo seu povo

Natalia Costa

03 de julho de 2026 às 20:46 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Yakekam Pankararu é um artesão indígena de Pernambuco que participou da III Feira da Agricultura Familiar no Piauí.
  • Originalmente, ele estava no estado para visitar a comunidade indígena Akroá-Gamella, mas aproveitou a chance para expor seus artesanatos.
  • Suas peças incluem colares, pulseiras, braceletes, cocares, gargantilhas, anéis e maracas, feitas com materiais naturais.
  • Cada peça tem um significado especial, representando força, proteção e espiritualidade, sendo abençoadas por anciões.
  • O colar inspirado na cobra coral atraiu grande interesse durante o evento.
  • Vendas foram bem-sucedidas, superando expectativas da feira.
  • Yakekam destaca a importância da tradição artesanal dos Pankararu, ensinada desde a infância, como parte vital de sua cultura e sustento.
  • Ele participa de feiras há mais de oito anos, compartilhando a história e cultura do povo Pankararu.

Artesão indígena Yakekam Pankararu, natural de Pernambuco | Foto: Piauí Hoje
Artesão indígena Yakekam Pankararu, natural de Pernambuco | Foto: Piauí Hoje

O artesão indígena Yakekam Pankararu, natural de Pernambuco, não tinha planos de participar da III Feira da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária do Piauí, ele estava em viagem ao estado com outro propósito: visitar uma comunidade indígena do povo Akroá-Gamella, nas proximidades de Uruçuí.

Faltando apenas dois dias para retornar a Guarulhos (SP), onde vive atualmente em uma aldeia multiétnica, Yakekam recebeu o convite para expor seus artesanatos na feira. Como já estava com as peças produzidas por seu povo, decidiu aproveitar a oportunidade para apresentar aos piauienses uma cultura marcada pela ancestralidade, espiritualidade e resistência.

O nome civil do artesão é Gabriel e o nome indígena é Yakekam, dado pela mãe.

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Artesão indígena Yakekam Pankararu, natural de Pernambuco | Foto: Piauí Hoje
Artesanato com história e espiritualidade

No estande, colares, pulseiras, braceletes, cocares, gargantilhas, anéis e maracas chamam a atenção dos visitantes. As peças são confeccionadas com sementes, pedras naturais e matérias-primas retiradas da natureza, como jarina, mucunã, açaí, olho-de-cabra, olho-de-pomba e coco.

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Colares, pulseiras, braceletes, cocares, gargantilhas, anéis e maracas chamam a atenção dos visitantes | Foto: Piauí Hoje

Para Yakekam, porém, o maior valor está no significado de cada criação. "Cada artesanato tem um símbolo, tem um significado e tem um porquê. Eles representam força, representam proteção. São artesanatos curados e benzidos pelos nossos anciões para depois irem até a casa de vocês e protegerem vocês também", disse.

Colar de cobra coral conquista os visitantes

Entre todos os produtos expostos, um chamou especialmente a atenção dos visitantes do Piauí: o colar inspirado na cobra coral.

"O pessoal do Piauí gosta muito do colar de cobra coral. Eu trouxe alguns colares, vendi todos e ainda ficou gente querendo comprar."

Além dele, a maraca sagrada também está entre os itens mais procurados durante a feira. As vendas, segundo Yakekam, superaram as expectativas.

"Graças a Deus, as vendas estão saindo. Hoje vendemos bastante e já deu para fazer um bom dinheiro."

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Colares, pulseiras, braceletes, cocares, gargantilhas, anéis e maracas chamam a atenção dos visitantes | Foto: Piauí Hoje
Mais do que comercializar artesanato, Yakekam Pankararu levou ao evento a história de seu povo, mostrando que cada peça produzida à mão carrega a memória dos ancestrais, a força da natureza e a riqueza da cultura indígena brasileira.

Tradição aprendida desde a infância

Yakekam conta que o artesanato faz parte da vida do povo Pankararu desde a infância. O conhecimento é transmitido pelos mais velhos, em encontros realizados ao redor da fogueira, onde as novas gerações aprendem muito mais do que técnicas de produção.

"O artesanato a gente aprende desde novo na aldeia. Os nossos mais velhos, todas as seis horas da noite, faziam uma fogueira e ensinavam a gente a fazer o artesanato. Eles ensinavam também um pouco da ciência deles e das experiências que tinham na mata."

Segundo Yakekam, cada peça produzida representa um modo de vida e mantém viva a identidade do povo Pankararu. "Isso é mais do que só paixão pelo artesanato. Isso é o viver também, é o nosso sustento", afirma.

Há mais de oito anos, a artesã participa de feiras pelo país, levando consigo não apenas os produtos, mas também a história e os saberes ancestrais de seu povo.

Assista a entrevista completa:


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