Teresinha
22 de novembro de 2016 às 10:11
O potencial de produção de coletivos de matriz afro da capital vai contar com mais um incentivo. A Fundação Banco do Brasil assina na quarta-feira (23), às 11 horas, no Salão Nobre da Prefeitura de Teresina, o convênio para execução do “Projeto Sustentabilidade de Comunidades Tradicionais de Matriz Africana”, que será desenvolvido em parceria com o município, por meio da Secretaria Municipal de Economia Solidária (Semest). As 20 comunidades contempladas receberão ateliês estruturados com máquinas, mesas de costura e materiais necessários para a produção de itens de confecção com estilos e características próprias desses grupos, atendendo a uma promissora demanda de mercado.
O projeto, que vai envolver cerca de 200 pessoas, prevê também a oferta de consultorias especializadas, que atuarão em duas frentes: desenvolvimento de novos produtos e a gestão de empreendimentos solidários.
O objetivo é formar empreendedores que tragam um produto diferenciado para o mercado consumidor, agregando elementos culturais de matriz africana e desenvolvendo nesses grupos atendidos o senso de solidariedade e sustentabilidade, além de outros princípios da Economia Solidária e Criativa.
A elaboração do projeto foi acompanhada por uma comissão de pais e mães de santo, para dar garantia que suas demandas e especificidades fossem contempladas. A seleção das comunidades também aconteceu com o apoio dessa equipe. Dentre os critérios de escolha dos grupos está a estrutura do local, a fim de garantir que os ateliês sejam implantados em espaços que tenham condições de executar o projeto. O intuito é sejam criados multiplicadores, para que, depois, a estrutura dos ateliês e os conhecimentos adquiridos sejam compartilhados com outras comunidades.
Pai Rondinele de Oxum, da Associação Santuário Sagrado “Pai João de Aruanda” (ASPAJA), é um dos integrantes dessa comissão consultiva e teve sua comunidade contemplada com o projeto. Para ele, muitas conquistas já foram alcançadas, mas é preciso que sejam trabalhados outros mecanismos para apoiar essas comunidades, a exemplo desse Projeto de Sustentabilidade, que deve trazer muitos avanços.
Outras ações de apoio da Prefeitura de Teresina
Um levantamento realizado pela Prefeitura de Teresina, em 2013, revelou que somente na capital existem 480 terreiros de matriz afro-brasileira. Além do extenso número, percebe-se que há um grande envolvimento dos coletivos com a comunidade, dialogando com todas as suas realidades, experiências sociais, antropológicas, culturais, econômicas, religiosas e educacionais.
Esse dado possui uma grande relevância, posto que centros religiosos de matriz africana se inserem em um ”continuum cultural-religioso”, reunindo significados e símbolos próprios, se destacando pela diversidade de expressões como candomblé, umbanda, batuque, nação, tambor de mina, xambá, omolocô, pajelança, jurema, quimbanda, xangô, dentre outros rituais e expressões culturais”
Além dessas ações, o fortalecimento desse segmento também se deu com a inserção do evento Cultura Negra Estaiada na Ponte no calendário do aniversário de Teresina, desde 2013. O evento, que neste ano transformou-se em Lei Municipal, conta com a caminhada do axé, espaço de comercialização, apresentações culturais, nas imediações dos principais shoppings da capital.
A equipe técnica da Semest também realiza um trabalho de visitas aos coletivos e às comunidades, sensibilizações, reuniões com lideranças sociais e culturais do segmento de matriz africana, além de consultoria e capacitação em estamparia de tecidos afro.
Fonte: Portal PMT
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