Cidade

Comunidades Tradicionais de Matriz Africana de Teresina contarão com investimento de R$ 360 mil

Os recursos da Fundação Banco do Brasil

Teresinha

24 de novembro de 2016 às 17:11


Audiência com o Prefeito
Audiência com o Prefeito

Teresina vai contar com um projeto inovador no que se refere à geração de trabalho e renda para coletivos de matriz africana existentes na capital. Um investimento de aproximadamente R$ 360 mil será direcionado para a produção de confecções e outros itens com identidade cultural desses grupos. Os recursos são oriundos de um convênio entre o município e a Fundação Banco do Brasil, oficializado em uma solenidade ocorrida na quarta-feira (23), no Salão Nobre da Prefeitura de Teresina.

audiência na Prefeituraaudiência na PrefeituraFoto: Ascom

Intitulado de "Sustentabilidade de Comunidades Tradicionais de Matriz Africana", o projeto está sendo primeiro que a Fundação aprova no país nesse sentido, é o que afirma o Superintendente Estadual do Banco do Brasil, Pio Gomes Júnior. "Realmente esse é um projeto pioneiro no país. Vemos isso como uma parceria importante entre o município e a Fundação Banco do Brasil, que vai ajudar a fortalecer esses grupos, tanto no aspecto da produção, qualificação e comercialização. Isso, sem dúvida, é um momento significativo, que vai contribuir para crescimento de todos, agregando mais qualidade de vida", explica.

Audiência com o PrefeitoAudiência com o PrefeitoFoto: Ascom

O projeto vai envolver cerca de duzentas pessoas de vinte comunidades, que contarão estruturas de ateliês, montados com máquinas, mesas de costura e materiais necessários para a produção. Além disso, esses grupos devem recebem consultorias voltadas para criação de novos produtos e desenvolvimento do senso de solidariedade e sustentabilidade. 

Para Pai Flávio de Ogum, esse é um passo significativo para garantir geração de renda aos povos de terreiros, que já produzem vestimentas e acessórios para uso pessoal. "Já mantemos uma pequena produção dentro das nossas casas, principalmente de roupas e itens usados nas nossas festas. Mas é preciso externar e expandir essa produção, porque existe uma demanda no mercado. Então esse projeto vem para dar uma oportunidade de geração de renda para os integrantes desses comunidades, o que resulta em uma melhor qualidade de vida ", destaca. 

O prefeito de Teresina, Firmino Filho, considera que, em meio essa massificação resultante do mundo globalizado, o que possui identidade tem algo a mais a dizer, por isso consegue se sobressair diante das demais coisas. Isso explica a importância de incentivar o potencial desses grupos de matriz africana, que têm forte presença na capital, somando mais 480 núcleos. 

"Aquilo que é diferente, que tem identidade, consegue se destacar. Daí surgem as oportunidades para a pequena produção, que se organizam através, por exemplo, de associações e cooperativas. É o que chamamos de Economia Solidária e de Economia Criativa, que agregam valor, criatividade, solidariedade, conhecimento ao que produzem. Então essa parceria com a Fundação Banco do Brasil vem para ajudar a mostrar o que esses grupos de matriz africana têm de diferente. Eles estão muito escondidos, precisam mostrar mais sua identidade, mostrar a nossa cara", pontua o chefe do executivo municipal.

Segundo o secretário municipal de Economia Solidária (Semest), Olavo Braz, esse projeto integra um conjunto de ações de apoio aos grupos de matriz afro existentes na capital. "O trabalho da Prefeitura, através da Semest, se dá em duas vertentes. Primeiramente estamos buscando tirar esses terreiros do fundo dos quintais e mostrar para a sociedade que eles existem, que possuem um grande potencial e precisam ser devidamente valorizados e respeitados. Há toda uma sensibilização por trás disso. Em segundo lugar estão projetos como esse, voltados para a sustentabilidade desses núcleos. Temos, ainda, o exemplo do Cultura Negra Estaiada na Ponte, um evento que a partir desse ano tornou-se uma Lei Municipal, e se coloca como um importante momento de visibilidade e respeito a esses povos", explica o gestor da Semest, acrescentando que outra ação inovadora foi levar as indumentárias típicas desses grupos para desfiles de moda em Teresina.  

ESCOLHA DAS COMUNIDADES BENEFICIADAS

A elaboração desse projeto foi acompanhada por uma comissão de pais e mães de santo, para dar garantia que suas demandas e especificidades fossem contempladas. A seleção das comunidades também aconteceu com o apoio dessa equipe. Dentre os critérios de escolha dos grupos está a estrutura do local, a fim de garantir que os ateliês sejam implantados em espaços que tenham condições de executar o projeto. 

O intuito é sejam criados multiplicadores, para que, depois, a estrutura dos ateliês e os conhecimentos adquiridos sejam compartilhados com outras comunidades.

Fonte: ascom/Semest



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