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Wellington Soares é professor, escritor e um dos editores da Revestrés. Tem uma longa atuação nas áreas da educação e da cultura no Piauí. Gosta de ouvir música, ver filmes, dormir em rede, ler livros e curtir os dois netos. Sem falar que é torcedor apaixonado do Flamengo.
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LITERATURA

Uma autobiografia diferenciada

Em Eu me lembro, Selton Mello responde todas as perguntas numa autobiografia muito diferente

Por Luiz Brandão

08 de julho de 2024 às 23:15


Selton Melo: livro, TV, cinema e teatro
Selton Melo: livro, TV, cinema e teatro

Uma das leituras que tirou meu sono nesses últimos dias, literalmente, foi Eu me lembro, livro-memória do consagrado ator e diretor Selton Mello. Uma autobiografia diferenciada de tudo que li até hoje. Em vez de ficar relatando sua história de vida sozinho, preferiu convidar 40 amigos a enviarem perguntas para ele. Sem restrição de tema nem combinação prévia.

O livro tem por objetivo celebrar seus 50 anos de vida e 40 anos de carreira artística. Uma trajetória de grande sucesso, portanto, marcada por personagens icônicos que fazem parte de nosso imaginário. A exemplos de Xicó, do filme O auto da compadecida, e Abelardo da novela Força de um desejo.

Entre os convidados, despontam profissionais de áreas distintas, na grande maioria, ligados às artes, principalmente à dramaturgia – Fernanda Montenegro, Rodrigo Santoro, Zezé Motta, Matheus Nachtergaele, Marjorie Estiano, Camila Pitanga, Dira Paes, além de Jefferson Tenório, Ana Paula Maia e Zuenir Ventura, escritores, Raí, ex-jogador de futebol, Pedro Bial, jornalista, e Moacyr Franco, cantor e comediante. Com leveza e toques de humor, Selton não deixou nenhuma indagação sem a devida resposta.

De forma comovente, relembra passagens da infância no interior de Minas Gerais, o desejo de ser ator, nascido ainda na meninice, a mudança para a Cidade Maravilhosa, a fim de abraçar a carreira artística, o emprego de dublador, os inúmeros trabalhos em novelas e filmes, a relação afetiva com os pais e irmão, sobretudo, com a mãe, dona Selva, portadora de Alzheimer.

Se já o admirava como ator e diretor, agora passei a admirá-lo enquanto ser humano. Uma figura iluminada, talentosa e inspiradora na produção de arte, para quem “a realidade não basta, eu preciso de componentes mais mágicos. Assim tenho caminhado: vivendo do trabalho e sobrevivendo dos sonhos”.

Além do livro, nada melhor que viajar também nos filmes de sua autoria, verdadeiras obras-primas do cinema brasileiro: Feliz natal (2008), O palhaço (2011) e O filme da minha vida (2017), bem como noutros em que simplesmente atua: Lisbela e o prisioneiro (2003), Lavoura arcaica (2001), O cheiro do ralo (2007).