Olhe Direito!

Memória e reverência aos mortos

Teresinha

02 de novembro de 2016 às 11:11


Cemitério São José
Cemitério São José

Desde sempre, as sociedades humanas tiveram uma relação respeitosa com os mortos – sempre havendo a crença de que sendo o homem dotado de espírito, após sua morte habitaria ele um universo sobrenatural, onde poderia zelar pelos que permanecem vivos no plano terreno.

O respeito aos mortos ou aos seus espíritos está presente na História desde as civilizações mais antigas das quais temos registro, como os egípcios antigos, que por sua crença na ressurreição legaram à Humanidade magníficos monumentos, as pirâmides, que de um ponto de vista mais elementar são túmulos.

Aliás, os túmulos são possivelmente os mais numerosos demonstrativos físicos do respeito que a Humanidade devota aos que partiram. Um respeito que também se faz no plano das mentalidades, da fé e da cultura, com práticas variadas em todas as sociedades humanas.

Se os egípcios usaram as pirâmides como túmulos, na cultura judaica, os mortos eram sepultados em espaços comunais distante das cidades – o que parece evidenciar também uma preocupação sanitária. Cristão seguiram essa mesma prática e os cemitérios eram colocados distante das cidades, até que a expansão das cidades terminaram por transformar as necrópoles em parte dos equipamentos urbanos.

A celebração aos mortos havia mesmo entre aqueles que a nossa cultura judaico-cristã considerava ímpios. Os povos primitivos brasileiros usavam urnas funerárias de barro, algumas dela encontradas em museus como o Museu do Homem Americano, em São Raimundo Nonato e o Museu do Piauí, em Teresina.

Em todos os casos, há uma honra e um respeito aos mortos. Agir com referência em relação àqueles que se foram é parte da fé comum do homem em uma vida extraterrena ou ainda de ligação com sua ancestralidade.

Então, convém sempre que a memória dos que partirão seja mantida viva em nós, como se faz há milênios. Se temos fé e esperança em uma nova vida, devemos também guardar conosco o muito do que é legado por uma vida que biologicamente se extingue. Respeitar a memória dos mortos parece ser não somente uma reverência. É, sobretudo, uma forma de manter essas pessoas vivas em nós e na nossa cultura.

Respeito aos mortosRespeito aos mortosFoto: Divulgação

Olhe Direito!

Olhe Direito!

Álvaro Mota é procurador do Estado, advogado e presidente do Instituto dos Advogados Piauienses (IAP). Na área acadêmica, atua como professor, sendo mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito (UFPE) e doutor em Direito Administrativo (PUC-SP).



@production @if(request()->routeIs('site.home.index')) @endif @endproduction