Olhe Direito!

Em nome do amor

Teresinha

20 de dezembro de 2016 às 20:12


Algumas lições podem ser extraídas da tragédia que enlutou a América Latina e o mundo do esporte, quando um avião despencou dos altiplanos da Bolívia, matando 71 pessoas, entre as quais todo o time de futebol da Chapecoense. Durante mais de duas semanas o universo esportivo ficou comovido, produzindo uma das maiores manifestações de solidariedade jamais vista em todo o mundo.

De todos os recantos do planeta, da Colômbia à China, da França à Argentina, da África ao Japão, do Brasil aos países árabes surgiram comoventes atitudes de solidariedade e esperança.

A principal lição que poderemos aprender do episódio é que a humanidade não perdeu sua capacidade de amar. Por momentos, ou melhor, durante o luto, cessaram os conflitos, substituídos por uma ciranda de fé, solidariedade e crença em Deus, de esperança na humanização das relações entre as nações, de união quando as tragédias desabam.

Outra importante lição é a força do esporte no Universo.

Indiferente ao espírito de competição que rege esse concerto de desafios, clubes de futebol do mundo inteiro, associações esportivas de vários segmentos foram unânimes em manifestar apoio a Chapecó. Oferta de atletas para a reconstituição da equipe, conduziram os gestos de conforto à cidade, ao Estado de Santa Catarina, ao Brasil e à equipe da Chapecoense.

O esporte une as multidões. Milhões de pessoas semanalmente se reúnem nos estádios, nas quadras, nos campinhos de várzea para aplaudir seus ídolos. A competição reaquece o espírito da disputa, presente no homem desde o começo das civilizações. Se antes a necessidade de competir se manifestava nas guerras e nos conflitos domésticos pelo poder, esse espírito foi aos poucos levado para os estádios. Porque o homem é um animal competitivo.

Por fim, essa lição de solidariedade e fé na condição humanista da sociedade nos alertou para uma realidade até então reprimida: o homem não perdeu sua capacidade de amar.

E é esse o sentimento que vibrou nas correntes sanguíneas de milhões de pessoas que manifestaram pessoalmente ou através das redes sociais, nas concentrações e preces, na religiosidade popular e nos lares, sua dor pela morte coletiva daqueles jovens atletas, dos demais profissionais de esporte, dos jornalistas e de tantos que estavam naquele vôo sinistro e mortal.

O amor ao próximo, em momentos difíceis, por via de regra, fala mais alto que as atitudes egoístas do dia a dia que fazem a humanidade esquecer do bem comum e de que somente este sentimento fraterno é capaz de mover o mundo para um futuro mais equilibrado.  

Olhe Direito!

Olhe Direito!

Álvaro Mota é procurador do Estado, advogado e presidente do Instituto dos Advogados Piauienses (IAP). Na área acadêmica, atua como professor, sendo mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito (UFPE) e doutor em Direito Administrativo (PUC-SP).



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