TURISMO RURAL
Teresinha
09 de agosto de 2019 às 17:42
Qualquer uma pessoa teresinense com uma idade próxima da minha – 50 anos – carrega em suas memórias uma certa saudade da cidade que antes se valia dos seus arredores para passeios ou como fornecedores de produtos os mais variados - principalmente alimentos frescos.
As cidades no entorno de Teresina ou sua imensa zona rural sempre foram refúgios seguros e aprazíveis para as pessoas de minha geração. Também era desses arrabaldes que vinham frutas, hortaliças, pequenos animais, produtos nativos e extrativos...
Não posso dizer que hoje haja essa referência. Viajar, hoje, é ir muito longe, embora possa haver, tão perto, coisas tão boas e belas. E nosso consumo de alimentos é de cada vez mais distante ou muito industrializado.
Tenho imaginado o que poderíamos nós outros fazermos não para retornar no tempo – um desejo que cada um de nós trás incensado na saudade do que passou de bom em nossas vidas. O meu pensamento se volta para a possibilidade de que novas gerações possam desfrutar elas também do consumo de alimentos frescos produzidos próximos de nós ou de coisas como passeios a cavalo, caminhadas ao ar livre, contato com a terra, banhos de rios, pescarias. Programas de diversão simples e saudável que muitos não experimentam mais.
Nos dias atuais a isso parece dar-se o nome de turismo rural. Há ainda a denominação de “mercado da saudade, que é a venda de produtos típicos de uma região e uma outra região ou para pessoas que desejam ter a experiência de rememorar tempos idos e suas experiências gustativas ou recreativas de infância.
Seria possível, então, que cidades no entorno de Teresina ou sua grande zona rural pudessem oferecer às pessoas passeios que desse a elas uma experiência de reviver dias de sua infância e adolescência? Acredito piamente que sim, que existem as condições para a oferta de um serviço dessa natureza, que com certeza encontra uma demanda disposta a consumi-lo.
Mas para além de uma visão um tanto quanto romântica sobre um nicho de negócios focado na oferta de passeios rurais ou de produtos típicos, é conveniente lembrar que as cidades no entorno da capital do Piauí formam até mesmo uma unidade administrativa legalmente composta, a Rede de Desenvolvimento Integrado (Ride) Grande Teresina, que reúne, além da capital, os municípios de Timon, Altos, José de Freitas, União, Beneditinos, Coivaras, Curralinhos, Demerval Lobão, Lagoa Alegre, Lagoa do Piauí, Miguel Leão, Monsenhor Gil, Pau D'Arco do Piauí.
Fora dessa área demarcada legalmente, temos muito mais cidades em um raio de até 100 km em linha reta de Teresina que também podem ser enquadradas numa possibilidade de fornecedoras de produtos e serviços para o consumo da população de quase um milhão de habitantes aqui residentes.
Convém, assim, que estejamos dispostos a ver nessas cidades e em suas áreas rurais um potencial para viagens, turismo rural, produção de alimentos frescos ou processados localmente que poderemos consumir nos próximos anos. Um mundo de oportunidades está a rodear, felizmente, a capital do Piauí.
Fonte: Alvaro Mota
Álvaro Mota é procurador do Estado, advogado e presidente do Instituto dos Advogados Piauienses (IAP). Na área acadêmica, atua como professor, sendo mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito (UFPE) e doutor em Direito Administrativo (PUC-SP).