Por Deusval Lacerda de Moraes
No domingo, dia 28 de outubro, ocorrerá o segundo turno das eleições presidenciais do Brasil. E com a grande virada das cidades de São Paulo e Belo Horizonte, não tenho dúvida, o candidato petista Fernando Hadadd será o futuro presidente da República.
O Nordeste, como todos sabem, é Hadadd. Primeiro, pelo motivo do Nordeste ser sempre a favor das causas libertárias do País. Depois, porque, Lula, foi o maior presidente de todos os tempos para a sofrida região nordestina.
De qualquer forma, sempre vão existir indivíduos que, por falta de conhecimento e brasilidade, atacarão o Nordeste, como ocorre atualmente com o candidato da extrema-direita, o Coiso, por desconhecimento de causa e despreparo para a governação.
Mas o Nordeste é pujante, forte, e exatamente por isso mereceu de mim o artigo intitulado O Nordeste do Brasil, publicado no dia 24 de fevereiro de 2005 no Jornal Meio Norte, abaixo:
“Ao longo da sua história, os nordestinos conviveram com as mazelas que causaram a pobreza da maioria da sua população. Por causa disso, foi forjada uma cultura regional que retrata a dor, o sofrimento, o lamento e a sorte desses desarvorados brasileiros. Além da criação de algumas figuras míticas que também fazem parte do misticismo desta parte do Brasil. Convém lembrar, entretanto, que a escassez das chuvas neste recanto nacional contribui decisivamente para a agudeza dos seus problemas socioeconômicos e a expansão das manifestações culturais em razão do desencanto daqueles que vivem sob o flagelo humano e da terrível falta de perspectiva.
Por ironia do destino, o Descobrimento do Brasil ocorreu no Nordeste, quando, em 1500, aportaram em Porto Seguro as caravelas de Pedro Álvares Cabral e, exatamente por isso, a administração colonial começou pela capitania de São Salvador, o atual Estado da Bahia. Na Colônia, os discursos inflamados do padre Antônio Vieira e a verve mordaz do poeta Gregório de Matos, chamado de ‘Boca do Inferno’, em defesa dos valores da nordestinidade. No Império, os retirantes das secas cearenses propiciaram a construção do açude de Orós e da ferrovia do Baturité, para aplacar a inanição dos famintos.
Destacam-se na luta pela abolição da escravatura o político e intelectual pernambucano Joaquim Nabuco e o baiano Castro Alves, o poeta dos escravos. Ressalte-se também o combate do jurista baiano Rui Barbosa na Proclamação da República e, ato contínuo, na defesa das causas civilistas - embrião da nossa democracia.
Com a República, surgiu no interior da Bahia o beato Antônio Conselheiro que, diante do desalento de muitos nordestinos, formou a comunidade de Canudos, destroçada por varias incursões militares (1896-1897), que foram magistralmente narradas em Os Sertões, do escritor carioca Euclides da Cunha. Enaltece-se a obra magnífica O Auto da Compadecida, do escritor paraibano Ariano Suassuna, como também das músicas regionalistas do trocador pernambucano Luiz Gonzaga e do bardo cearense Patariva do Assaré, bem como da literatura de cordel - proeminente expressão cultural nordestina.
Vale ressaltar ainda a contribuição cultural do filósofo sergipano Tobias Barreto e do folclorista potiguar Câmara Cascudo, o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre, o notável escritor baiano Jorge Amado, o poeta pernambucano Manuel Bandeira, o maranhense Gonçalves Dias, os piauienses Da Costa e Silva e Torquato Neto, bem como o paraibano Augusto dos Anjos. Além dos escritores José de Alencar, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, João Cabral do Melo Neto, Humberto de Campos, José Américo de Almeida, Barbosa Lima Sobrinho e Raquel de Queiroz. Não se pode olvidar do pioneiro da industrialização nordestina, Delmiro Gouveia. A cinematografia do baiano Glauber Rocha. E o ideal do economista Celso Furtado, entre outras personalidades das artes, ciências e letras.
Todos os personagens acima referenciados marcaram indelevelmente a história, a ciência, a literatura e a arte nordestina formando um mosaico cultural que decanta em prosa e verso a sua realidade. Tem-se, hoje, como mandatário do País, o pernambucano Luiz Inacio Lula da Silva, como presidente do Senado da República o alagoano Renan Calheiros. Como presidente da Camara Federal o pernambucano Severino Cavalcanti. Como ministro da Integração Nacional, o cearense Ciro Gomes, e como presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o maranhense Edson Vidigal”.
Assim posto, só menospreza a Região Nordeste do Brasil pessoa que não está à altura de enfrentar os desafios do Brasil, como o candidato neófito da extrema-direita, o Coiso. E como o Lula foi o grande transformador do Nordeste e Fernando Hadadd o melhor ministro da Educação do Brasil, domingo próximo o Nordeste vai em peso sufragar o nome de Hadadd 13 Presidente!
Deusval Lacerda é natural de São João do Piauí. É economista e advogado.