Por Deusval Lacerda de Moraes
Não acredito que o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, tem a coragem de pleitear candidatura de presidente da República do Brasil. Pois nele falta os mais elementares pré-requisitos de candidatura de respaldo popular.
Até o golpe parlamentar-constitucional-judicial, em 31 de agosto de 2016, de parlamentar na Câmara e que na planilha da construtora Odebrecht aparece com a alcunha de "Botafogo", aproveitou a força parlamentar golpista para no vácuo da cassação e prisão do então presidente Eduardo Cunha, em quem votou para presidir a Casa, elegeu-se para cumprir o restante do mandato e depois para dois anos da presidência.
Eleito presidente da Câmara, e para satisfazer os interesses do governo antipovo, na aprovação dos projetos na Câmara saiu com a pérola, acima: "O Congresso não é cartório para fazer o que o povo quer". E com a peculiar expressão facial de autoritário.
Agora, aproximando-se das eleições, em que se precisa do apoio popular, ele se diz surpreendentemente candidato à presidência da República e aparece com o sorrido nos lábios característico de quem quer voto do povo (fotos acima).
Eis, pois, a grande verdade da política pátria: quando a elite e a direita estão no poder, costumam agir à revelia da população, depois, para continuarem no poder, e que precisam da aprovação popular, agem como se tivessem cumpridos a cartilha direitinha. É aí que reside a real dicotomia, distorção, no exercício pleno da democracia.
Deusval Lacerda é natural de São João do Piauí. É economista e advogado.