Por Deusval Lacerda de Moraes
É bom que se diga que a Justiça brasileira é uma das que mais cometem erros no mundo. É bom que se diga também que o seu paroxismo errático aconteceu com o erro judicial que processou, julgou, condenou e prendeu o ex-presidente Lula sem provas.
Na injustiça do Lula, o mundo todo acompanhou a correria jurídico-processual que o então juiz Sergio Moro imprimiu no caso para tirar o petista da corrida presidencial e ainda cercear a sua liberdade como se criminoso ele fosse. Foi rapidez sem precedentes forenses pátrios.
O magistrado vai ser ministro do governo eleito no rescaldo do golpe parlamentar-constitucional-judicial de 2016 e das decisões judiciais que proibiram o líder metalúrgico exercer a soberania e disputar as eleições para o Palácio do Planalto.
Eis que surge, agora, na vibração da vitória do presidente eleito, uma movimentação financeira atípica de R$ 1,2 milhão na conta bancária de um ex-assessor do recém-eleito senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, sem qualquer investigação ou explicação plausível.
O mais grave para os parlamentares da oposição ao futuro governo no Congresso Nacional, é que o escolhido ministro Sergio Moro vai chefiar o Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) e a Polícia Federal sem demonstrar nenhum interesse em esclarecer o caso.
Dito assim, é bom que se diga ainda que não existe nenhum país no mundo que atingiu o seu desenvolvimento econômico e elevado grau de civilidade da sociedade com práticas públicas de dois pesos e duas medidas.
Deusval Lacerda é natural de São João do Piauí. É economista e advogado.