O golpe na democracia emperra o progresso em todos os níveis da Nação. Mas tem víeis ainda mais impróprio para a sociedade, ungir-se ao poder figuras que já não mais participam do processo eleitoral representativo ou de ocupação da administração pública. E por que essas pessoas se encaixam em governo ilegítimo? Porque, uma vez fora do processo genuinamente democrático, elas têm a coragem de assumir tamanha desdita coletiva e passam a ser alternativas ou aproveitadas na seara pública, sempre na intenção de eventual retorno à carreira política.
E foi o que aconteceu no governo Michel Temer com o piauiense João Henrique Sousa. Uma vez fora da vitrine eletiva há algum tempo, mas com o golpe parlamentar-constitucional-judicial foi alçado, na base da amizade pessoal, à presidência do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria-SESI. Achando pouco, quer, num passe de mágica, governar o Piauí. Faz andança nos municípios na "Caravana Piauí em Movimento" e em recente entrevista no Café com Informação, do Portal AZ, repetiu o chavão: "O Piauí parou no tempo e no espaço", em crítica ao governo Wellington Dias.
Só que, para governar, ele precisa ser eleito pelo povo e, na última pesquisa, obteve inexpressivo 1,7% das intenções de voto. O seu passado político pontua que, de secretário da Educação do governo Alberto Silva, saltou para deputado federal nos mandatos de 1990, 1994 e 1998. Nos estertores do governo FHC, que depois os brasileiros rejeitaram os tucanos em sucessivas eleições, foi ministro dos Transportes.
Mas foi mágico. Lula derrota os tucanos e ele sai de ministro de FHC para presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) do governo petista. Em seguida, vem para o Piauí e torna-se assessor do governo Wellington Dias. Nessa marcha, assume a secretaria de Governo da Prefeitura Municipal de Teresina na gestão Elmano Ferrer e, depois, é empossado secretário de Administração do governo Zé Filho.
Apenas para lembrar, nas eleições estaduais de 2006 seria o candidato a vice-governador na chapa vitoriosa de Wellington Dias, mas o seu partido PMDB o preteriu e, agora, boa parte da legenda quer apoiar a reeleição para o tetra-governo de Wellington Dias. No começo da sua vida pública, filiou-se na ARENA, partido oficial da Ditadura Militar, e com a reforma partidária de 1980 foi para a sigla rival, o PMDB.
Assim, não há campo, na atual conjuntura política piauiense, para João Henrique encorpar-se eleitoralmente na disputa do governo do Estado. Os piauienses também rejeitam sumariamente o governo Temer. Dessa forma, mais uma vez, ele está falando só. Pois, na verdade, trata-se de projeto político para aplacar os seus interesses de cunho eminentemente pessoal.
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