Artigos & Opinião

Desgovernação do Brasil

Teresinha

12 de fevereiro de 2017 às 22:02


Por Deusval Lacerda de Moraes 

O que chama a atenção de qualquer pessoa que tenha alguma ideia organizacional e administrativa do País é o esforço descomunal de certos governos nativos em querer demonstrar normalidade governamental quando, às vezes, o inferno se abateu sobre eles. 
 
É o caso do governo ilegítimo de Michel Temer que quer aparentar tranquilidade mas tudo que faz ou acontece funciona como retrocesso público que só entulha o dia a dia das suas ações e denota que foi um estorvo a sua concepção por menosprezar o povo brasileiro.

Primeiro, subestimou, nos tempos modernos, o Estado Democrático de Direito, por ter sido originado através do golpe parlamentar-constitucional-judicial que, dessa maneira, afrontou o mundo, porque democracia hoje é bem, valor universal, e quem estiver contra ela, é pária civilizacional. 

Segundo, a economia. A turma do golpe achava que debelar a economia era fácil, pois não imaginava a sua complexidade nem a sua vagareza no reagir, mesmo se editando as medidas certas. Pior com o arcaico Henrique Meirelles, que além de reeditar o neoliberalismo, que está ultrapassado até nos seus templos sagrados, os Estados Unidos e Inglaterra, que dirá nos países emergentes. Além, naturalmente, das diretrizes paliativas formuladas, e não por plano econômico lúcido e estruturado. 

Terceiro, a aprovação da PEC 241/55 dos Gastos, que trata de limitar por 20 anos as despesas primárias do País, que, no Brasil, esses setores precisam de maiores investimentos para não piorar ainda mais os gargalos crônicos da Nação, como saúde, políticas sociais, educação, segurança etc. É uma medida difícil de se entender, porque não existe em País nenhum com essa duração e também não ocorre por emenda constitucional. 

A Reforma da Previdência, que também está em gestação pelo governo, é outro atentado contra o povo pátrio, porque o déficit acumulado ao longo do tempo por culpa direta do gerenciamento temerário do próprio governo federal e não dos brasileiros que compulsoriamente pagam as suas contribuições. 

Depois, governo não é algo isolado ou desvinculado da Nação, pelo contrário, tem de ser dela originário e para ela servir. O povo, a população, a sociedade e os seus diversos segmentos e movimentos populares são os sustentáculos do governo. Na caso do Michel Temer há um fosso imensurável entre o governo e a Nação. É, pois, um governo sem qualquer representatividade nacional, fruto do conchavo de cúpula. 

E para piorar as coisas, muitos membros do governo estão envolvidos na Operação Lava Jato. Por causa dela, alguns ministros já caíram e outros estão por cair. É raro alguém se salvar. É uma situação lamentável, porque, assim, nem a própria elite, a quem o governo serve, acredita nele. O governo fala só, e o povo está abandonado pela gestão oficial. 

Também os próceres governistas no Congresso Nacional são acusados na Lava Jato. O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que apresentou vingativamente o pedido de impeachment contra a presidente legítima Dilma Rousseff, já está na prisão. E alguns dos seus colegas congressistas de aprovação do afastamento estão a caminho do chilindró. 

Para desmoralizar ainda mais o status quo governamental, os parlamentares que dão sustentação ao governo no Congresso estão citados também na Lava Jato, a começar pelos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Eunicio Oliveira, respectivamente. Além do líder do governo no Senado, Romero Jucá, do líder do PMDB, Renan Calheiros, e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Edson Lobao. E segundo a deleção de 77 integrantes da Odebrecht existem mais de 200 congressistas arrastados no propinoduto.

Acossado pelas injunções legais ou penal-criminais o presidente golpista deu foro privilegiado ao amigo Moreira Franco, nomeando-o às pressas ministro de Estado. E indicou o filiado do PSDB e insosso ministro da Justiça Alexandre de Moraes para a vaga do Teori Zavascki para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Enfim, como se pode inferir dos fatos elencados acima, não existe governo propriamente dito no Brasil, mas um arremedo governativo em processo de desgovernação, porque a recessão econômica é a pior da história republicana, o governo embroma a Nação por seus problemas mais angustiantes recrudesceram e a equipe governante agir em dissonância aos interesses nacionais. Foi a pior coisa que poderia acontecer ao Brasil no seu aprimoramento do Estado Democrático de Direito e no resgate das políticas públicas em favor do povo que historicamente foram renegadas pelos governos excludentes que imperavam até a ascensão do Lula ao poder.

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