O Ministério da Saúde anunciou, ontema (20 de julho), um repasse extraordinário de R$ 1,5 milhão ao Hospital São Marcos, em Teresina. A pasta também determinou a realização de uma auditoria federal na unidade, referência no tratamento de pacientes com câncer no Piauí.
A medida ocorre após o hospital suspender a admissão de novos pacientes encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A direção da instituição atribuiu a decisão à defasagem dos valores pagos pelos procedimentos oncológicos e ao desequilíbrio financeiro acumulado pela unidade. A decisão foi divulgada publicamente na manhã de segunda-feira. Representantes do ministério também participaram de uma reunião com integrantes da Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina e da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi).
Auditores serão enviados a Teresina
Técncos do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS) deverão chegar a Teresina até sexta-feira (24). Os auditores ficarão responsáveis pela análise da movimentação de recursos federais destinados ao Hospital São Marcos, dos procedimentos realizados pelo SUS e da regularidade dos repasses efetuados à instituição.
A fiscalização deverá confrontar informações financeiras, produção hospitalar, contratos, registros de atendimento e valores apresentados aos gestores do sistema público. O procedimento deverá produzir um diagnóstico sobre o financiamento da unidade e verificar a regularidade da utilização do dinheiro público.
Repasse de R$ 1,5 milhão é extraordinário
Os recurso são transferência extraordinárias anunciada pelo governo federal. extraordiários. A direção do São Marcos já havia informado que recebe aproximadamente R$ 5,1 milhões mensais por meio da União e da gestão municipal, além de cerca de R$ 900 mil provenientes do Governo do Piauí. Somados, os repasses públicos citados pelo hospital alcançam aproximadamente R$ 6 milhões por mês. A instituição, entretanto, sustenta que precisa de um acréscimo mensal de cerca de R$ 4,2 milhões para manter integralmente os serviços oncológicos prestados pelo SUS. Os números foram apresentados pelo próprio hospital e deverão ser confrontados com documentos durante a auditoria federal.
Atendimento de novos pacientes permanece como ponto central
O anúncio do recurso cria uma possibilidade de negociação, mas não significa retomada automática da admissão de novos pacientes. A suspensão atinge especialmente pacientes que ainda precisam iniciar o acompanhamento no São Marcos. A continuidade do tratamento das pessoas que já estavam cadastradas na instituição deve ser diferenciada da admissão de novos casos.
O impacto da crise ultrapassa Teresina. Como o São Marcos recebe pacientes encaminhados por municípios de diferentes regiões do Piauí, uma redução na capacidade de atendimento pode pressionar outros hospitais e ampliar o deslocamento de pessoas em busca de tratamento.