MEDICAMENTO DE PONTA
Dulce Luz
22 de abril de 2026 às 17:50 ▪ Atualizado há 12 horas
O Sistema Único de Saúde (SUS) vai ampliar o acesso a um medicamento de ponta contra o câncer que, ao contrário da quimioterapia tradicional, não causa queda de cabelo. O pembrolizumabe, uma imunoterapia que estimula o sistema imunológico a combater as células tumorais, será produzido no Brasil a partir de uma parceria entre o Ministério da Saúde, o Instituto Butantan e a farmacêutica MSD.
A informação foi confirmada por email à redação do Portal Piauí Hoje por Thales Brendon Castano Silva, da Coordenação-Geral de Prevenção e Controle do Câncer do Ministério da Saúde. “Em geral, o pembrolizumabe não provoca a queda de cabelo da mesma forma que a quimioterapia tradicional”, explicou.
Segundo os especialistas, o impacto emocional da queda do cabelo merece atenção tanto quanto o tratamento médico. Para muitas mulheres, a perda dos fios atinge diretamente a autoestima, a feminilidade e a identidade social, podendo gerar isolamento e sofrimento psicológico intenso.

Para os homens, embora a calvície seja socialmente mais naturalizada, a perda abrupta e total do cabelo também abala a autoconfiança e escancara a doença para o mundo, trazendo sentimentos de vulnerabilidade e perda de controle sobre o próprio corpo.
A diferença está no mecanismo de ação. Diferente da quimioterapia, que ataca células de rápida multiplicação incluindo os folículos capilares, o pembrolizumabe atua estimulando o sistema imunológico a combater o câncer, o que geralmente não causa a perda de fios, detalhou Thales Brendon.
Há, porém, uma ressalva importante. Se o pembrolizumabe for administrado junto com a quimioterapia o que é comum em alguns protocolos, a queda de cabelo pode ocorrer devido aos outros medicamentos, explicou o especialista. “É essencial conversar com o oncologista sobre o plano de tratamento específico, pois a queda de cabelo depende da associação de medicamentos”, orientou Thales Brendon.
.jpg)
Embora não cause queda de cabelo, os efeitos colaterais mais comuns do pembrolizumabe, quando usado isoladamente incluem fadiga, coceiras na pele, diarreia e alterações na tireoide. Em casos mais raros, podem ocorrer inflamações como pneumonite inflamação nos pulmões e hepatite inflamação no fígado.
O anúncio da parceria foi feito no dia 26 de março pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A iniciativa prevê a transferência de tecnologia da MSD para o Instituto Butantan ao longo de dez anos. O medicamento será produzido em São Paulo e distribuído exclusivamente pelo SUS.
Atualmente, o pembrolizumabe já é ofertado na rede pública para o tratamento de melanoma avançado não cirúrgico e metastático, um tipo agressivo de câncer de pele. Cerca de 1,7 mil pessoas são atendidas por ano com o remédio, a um custo de R$ 400 milhões para o governo.

Agora, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) analisa a ampliação do uso para outros quatro tipos de câncer: mama triplo-negativo, pulmão, esôfago e colo do útero. Se aprovada, a demanda pode saltar para aproximadamente 13 mil pacientes por ano.
O modelo de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) usa o poder de compra do SUS para estimular a produção nacional de medicamentos de alto custo, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou o significado da iniciativa. A inovação que nos interessa é aquela que chega às pessoas, principalmente as mais vulneráveis. Aquela que reduz desigualdades, amplia o acesso, melhora o cuidado e salva vidas. Porque, no fim, não estamos falando apenas de tecnologia. Estamos falando de direito à saúde, afirmou.
A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, também comentou a importância da parceria. A gente produzir aqui deixa o paciente brasileiro com mais garantias de que esse medicamento não vai faltar por conta de eventos externos que causem a interrupção de cadeias logísticas, disse.
A expectativa é que o Butantan comece a oferecer o medicamento ao Ministério da Saúde em alguns meses, inicialmente com etapas como rotulagem e envase, até que toda a cadeia produtiva seja nacionalizada.
MEDICAÇÃO
PROJETO PILOTO
MODERNIZAÇÃO
NOVO PAC
ALEITAMENTO MATERNO