Por meio de uma ata não publicada até ontem, o Senado validou 36 atos secretos da Mesa Diretora usados para criar cargos, diretorias e até para reajustar a verba indenizatória de R$ 12 mil para R$ 15 mil, informa reportagem de Adriano Ceolin, publicada nesta sexta-feira pela Folha. Segundo a reportagem, o assunto foi abordado em duas reuniões do colegiado realizadas há um mês, mas a decisão não havia sido tornada pública até ontem. A informação consta em apenas três linhas da ata da reunião da Mesa realizada em 20 de agosto deste ano: "Item 05: Convalidação dos atos e decisões sobre matérias de competência da Comissão Diretora, inclusive os excepcionados ao ato do presidente do Senado Federal no 294/2009, o ato do presidente no 313, de 2009 e outras matérias similares. Convalidado". A Folha informa que a ata é assinada por José Sarney (PMDB-AP) e, na ordem seguinte, por mais quatro integrantes da Mesa Diretora do Senado: a segunda-vice-presidente Serys Slhessarenko (PT-MT), o segundo-secretário João Vicente Claudino (PTB-PI), o suplente Gerson Camata (PMDB-ES), o terceiro-secretário Mão Santa (PMDB-PI) e o primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI).Em junho, uma comissão de sindicância identificou 663 atos administrativos que não foram publicados. Desse total, 36 são atos da Comissão Diretora, os mais importantes porque só entram em vigor se forem assinados pela maioria dos sete integrantes da Mesa Diretora -colegiado atualmente presidido por José Sarney e integrado por seis senadores.Outro ladoApós falar com o primeiro-secretário, a reportagem procurou o diretor-geral. Ele não quis dar explicações sobre o atraso na publicação das atas."Por que eu tenho de te responder? Não sou obrigado a lhe responder", disse Haroldo Tajra, que chegou ao cargo por indicação de Heráclito.Leia a reportagem completa na Folha desta sexta-feira, que já está nas bancas. NEGA - O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), negou nesta sexta-feira que a Mesa Diretora tenha cometido irregularidade por não mandar publicar a ata da reunião que tornou validos 36 atos secretos. Segundo ele, houve um atraso na publicidade da decisão que foi motivado pelo intervalo entre as duas reuniões da Mesa.Heráclito afirmou que, pelas normas internas do Senado, como a decisão foi tomada na reunião do dia 20 de agosto, a ata deveria ter sido aprovada na reunião seguinte da Mesa que ocorreu no dia 27 de agosto e mandada à publicação.Ele não soube precisar o prazo para que a ata tivesse recebido publicidade. "Prazo tem, não tem é pressa", afirmou.Após essas duas reuniões, a Mesa só voltou a se reunir nesta quinta-feira. "A ata só foi aprovada na sessão seguinte. Não há nada de ilegal. O que aconteceu é que demorou muito tempo de uma reunião para outra. Agora, são atos que a Mesa não podia deixar de convalidar. Foi uma falha administrativa que precisa ser corrigida porque a decisão tinha sido tomada e as medidas já estavam em vigor", afirmou.O primeiro-secretário disse que vai cobrar explicações do diretor-geral do Senado, Haroldo Tajra, sobre os motivos da não publicidade da ata. "Não houve omissão dele [Tajra]. Pode ter havido problema na divulgação. Isso não significa desvio de rota ou fuga de transparência", disse.A Folha Online procurou o diretor-geral para comentar a denúncia, mas a assessoria informou que ele estava em reunião e não poderia receber a reportagem.Segundo Heráclito, as 36 medidas ainda serão submetidas ao plenário porque tratam de criação de cargos e aumento de gastos. Ele ironizou as cobranças dos jornalistas em relação à falta de publicidade."Acho que vocês estão fazendo tempestade em um copo d"água. Está faltando assunto. Vocês querem que a crise volte ao Senado. Vocês criaram um problema que não existe. O Senado está cumprindo o que tem que ser cumprido. Nós estamos publicando, mas isso demanda tempo", disse.Reportagem da Folha revelou hoje que, por meio de uma ata não publicada até ontem, o Senado validou 36 atos secretos da Mesa Diretora usados para criar cargos, diretorias e até para reajustar a verba indenizatória de R$ 12 mil para R$ 15 mil.Em junho, uma comissão de sindicância identificou 663 atos administrativos que não foram publicados.Desse total, 36 são atos da Comissão Diretora, os mais importantes porque só entram em vigor se forem assinados pela maioria dos sete integrantes da Mesa Diretora colegiado atualmente presidido por José Sarney e integrado por seis senadores.Num primeiro momento, Sarney determinou a anulação de todos os 663 atos. No dia 6 de agosto, foi convencido a voltar atrás em relação aos atos da Mesa Diretora. O diretor-geral argumentou para o presidente que só a Mesa poderia anular os atos tomados pelo colegiados.Na maioria dos 36 atos, a Mesa Diretora trata de aumento de despesas, como criação de cargos e diretorias. Nesse caso, eles teriam de ser aprovados em plenário por meio de projetos de resolução. Havia promessa de que isso seria feito, principalmente porque a Mesa queria dividir com todos os senadores a decisão.
Fonte: Folha