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VAMOS AVANÇAR?

Que tal a duplicação de nossas PI's, um passo natural para o desenvolvimento do Piauí?

A duplicação das rodovias estaduais poderá se tornar proposta e promessa durante a campanha para governo do Estado

Por Luiz Brandão

27 de abril de 2026 às 06:00 ▪ Atualizado há 10 minutos

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  • As rodovias federais no Piauí, como a BR-343, BR-316 e BR-135, têm recebido investimentos, mas há um apelo por melhorias nas rodovias estaduais, as "PIs".
  • O desenvolvimento regional pode ser melhorado com rodovias estaduais bem cuidadas e duplicadas, complementando as federais.
  • O Piauí já investiu em infraestrutura e tem condições de planejar duplicações estratégicas nas rodovias mais movimentadas.
  • Outros estados, como São Paulo, Ceará e Paraná, estão avançando nessa área.
  • Propostas incluem criar uma Secretaria de Estradas e Rodovias e um sistema de gestão própria para obras.
  • Benefícios da duplicação incluem aumento na segurança, redução de acidentes, e economia nos custos de manutenção.
  • O governador do Piauí apoia melhorias, com planos de recuperação de rodovias em parceria com o Governo Federal.

Duplicação da BR-316, em Teresina, é realidade
Duplicação da BR-316, em Teresina, é realidade

Tem sido sempre motivo de orgulho e festa quando anunciam mais um trecho duplicado de rodovia federal no Piauí. A BR-343, a BR-316, a BR-135 – todas recebem investimentos constantes e melhoram a vida de quem trafega pelo estado. E está certo o entusiasmo. Mas e se a gente começasse a sonhar um pouco mais alto? E se olhássemos para dentro, para as nossas rodovias estaduais, as nossas “PIs”, com o mesmo carinho e ambição?

A ideia não é substituir as BRs, mas sim complementá-las. Porque o verdadeiro desenvolvimento regional acontece quando a grande artéria federal encontra capilares estaduais bem tratados, seguros e, por que não, duplicados. O governo do Piauí já vem fazendo a sua lição de casa. Dados oficiais mostram que, até o fim de 2024, o estado pavimentou mais de 800 km de novas rodovias, injetou mais de R$ 1 bilhão em infraestrutura e colheu os frutos: um crescimento do PIB. A receita aumentou, a arrecadação melhorou e a confiança voltou.

Com um fôlego fiscal, talvez seja o momento de ousar um pouco mais. De olhar para as rodovias estaduais mais movimentadas e começar a planejar a sua duplicação. Não todas de uma vez, porque são obras caras, mas as principais, aquelas que escoam a produção agrícola, que ligam polos turísticos ou que sofrem com tráfego intenso de veículos pesados.

A verdade é que, no Brasil, ainda são poucos os estados que duplicam ou sequer planejam duplicar suas malhas estaduais. São Paulo segue como referência, com mais de 750 km de duplicações previstas em novos lotes de concessão e uma malha estadual que é exemplo nacional.

No Nordeste, o Ceará vem planejando a duplicação de rodovias estaduais importantes, abrangendo cerca de 15 municípios em suas rotas de integração. Em Alagoas, o governo estadual realiza obras de duplicação para melhorar mobilidade e segurança, com foco em conectar rodovias federais e estaduais. No Sul, Paraná já executa e planeja duplicações em rodovias estaduais estratégicas, como as que cortam regiões agroindustriais.

O Piauí tem todas as condições de entrar nesse seleto grupo. Mais do que isso: pode inovar. Uma ideia que merece ser discutida é a criação de uma Secretaria de Estradas e Rodovias do Piauí. Seria a primeira secretaria estadual do país com esse recorte específico. Isso não significaria extinguir o DER-PI, que já faz um bom trabalho, mas sim elevá-lo a outro patamar de governança, com mais autonomia, orçamento e capacidade de articulação política.

A duplicação de rodovias federais é sempre motivo de festa e elogios aos gestores 
Imagine também a criação de um COREMA estadual – adaptação do sistema federal que já existe em Brasília para a Construção, Reforma e Manutenção de Estradas. Esse modelo permitiria contratações mais ágeis, manutenção preventiva constante e, principalmente, a retomada de obras de duplicação sem depender exclusivamente de convênios federais.

Os benefícios de se duplicar uma rodovia vão muito além do conforto ao volante. Em primeiro lugar, a segurança. As estradas sempre foram vetores de desenvolvimento. E boas estradas salvam vidas. A duplicação reduz drasticamente as colisões frontais, uma das causas mais comuns de mortes no trânsito em rodovias. Menos acidentes, menos custos com saúde pública e menos famílias enlutadas.

Em segundo lugar, a economia. Uma rodovia duplicada aumenta a vida útil do pavimento. Com menos sobrecarga e melhor fluidez, o asfalto dura mais, e os recursos públicos que seriam gastos em remendos e recapeamentos podem ser reinvestidos em novas obras. Além disso, o escoamento da produção agrícola, que tanto tem crescido no Piauí, se torna mais rápido e previsível. O pessoal do agronegócio iria adorar. E o comércio agradece. O turismo também.

Por fim, a integração. Todos os municípios que hoje são prósperos se desenvolveram a partir de estradas. Não basta abrir caminhos; é preciso mantê-los seguros, largos e bem sinalizados. A duplicação das PIs mais movimentadas encurtaria distâncias com segurança e boa qualidade, estimulando a interiorização do desenvolvimento.

Um convite ao diálogo

O governador Rafael Fonteles já demonstrou sensibilidade para o tema. Em 2025, foi anunciada a recuperação total de mais de 500 km de rodovias estaduais em parceria com o Governo Federal, com serviços de tapa-buracos, sinalização e manutenção em 23 rotas. Esse é o primeiro passo. O passo seguinte seria a duplicação planejada, gradual e sustentável. Isso é uma conversa que o Piauí precisa começar a ter.

Que tal avançarmos nesse sentido? Que tal evitarmos mais acidentes, melhorarmos o tráfego e encurtarmos distâncias com qualidade? O Piauí já provou que sabe crescer. Agora, talvez seja a hora de aprender a se conectar por dentro, de forma mais moderna, mais segura e mais ambiciosa. As nossas PIs merecem esse cuidado. E o nosso povo merece rodar com tranquilidade, onde quer que vá.

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Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.