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Imagens de impacto e memorização ajuda mulher a mudar alimentação

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Teresinha

02 de agosto de 2014 às 13:08


Imagens ajudam mulheres a manterem o regime
Imagens ajudam mulheres a manterem o regime
 A máxima uma imagem vale mais que mil palavras pode até ser muito batida, mas experimente transformar em imagens tudo aquilo que você come no dia a dia para mensurar a quantidade de açúcar que ingere sem saber. Pode se assustar. Foi justamente com o objetivo de surpreender a população e alertá-la para a importância da atenção no que vai ao prato que a nutricionista de Ribeirão Preto (SP) Flávia Gonçalves Micali elaborou um instrumento capaz até de qualificar o apetite usando imagens de impacto e técnica de memorização.

Foram 60 dias de experimento feito com um grupo de mulheres, que conseguiram mudar os hábitos alimentares depois do experimento. “A ideia era tentar construir um instrumento para a orientação alimentar e nutricional. Produzimos imagens que trouxessem informações sobre aspectos positivos e negativos, mas que também impactassem e facilitassem a memorização para quando a pessoa fosse se alimentar”, explica Micali, que desenvolveu a pesquisa como parte da dissertação de mestrado do curso de nutrição da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Ao longo dos quatro anos que se dedicou ao estudo, 12 meses foram exclusivos para a produção e a validação das fotos que poderiam causar o efeito esperado, Micali criou composições de impacto, como montanhas de banha ou sacos e mais sacos de açúcar empilhados, que foram exibidas às participantes. Ela trabalhou com quatro temas: Vida doce, cuidando do açúcar; Comer bem fazendo as melhores escolhas; Comida gostosa com pouca gordura e Cuido de mim com comida saudável. Para cada um, produziu fotos específicas.

No caso do primeiro tema, por exemplo, as voluntárias viram a imagem de duas latinhas de refrigerante e uma montanha de banha de porco. A intenção era mostrar que, se a ingestão diária daquela quantidade de bebida exceder a necessidade energética do indivíduo, ao fim de um ano, ele poderá ganhar 11 quilos somente por causa dela. O mesmo foi feito com o suco industrializado. Segundo Flávia Micali, se uma pessoa tomar duas caixinhas de 250 ml todos os dias, ao longo de um ano, isso equivale ao consumo de 22kg de açúcar.

“Existem estudos que demonstram o quanto imagens impactantes se convertem em fator de inibição. Tendo em vista o contexto da alimentação da população brasileira, decidimos fazer esse guia alimentar para tentar estimular o maior consumo de produtos in natura”, defende a autora. É por isso que, no álbum de fotografias planejadas para impactar as pessoas, também há comparações sobre refeições completas e alimentos de consumo usual, como chips, além de orientações sobre a quantidade de óleo que deve ser utilizada para a preparação das refeições.

Validação

Para testar a técnica, Flávia Micali decidiu trabalhar com um grupo reduzido de voluntárias. Inicialmente, o instrumento foi validado por 15 mulheres, sendo seis eutróficas (com índice de massa corporal considerado normal), quatro obesas e cinco nutricionistas. Elas participaram de grupos focais para testar a eficácia das imagens. Em sequência, o instrumento foi usado em oficinas de orientação nutricional com 33 mulheres, sendo 18 eutróficas e 15 obesas.

Depois de 30 e 60 dias do primeiro encontro, as voluntárias foram submetidas a questionários para avaliar a memorização das imagens, assim como a efetiva mudança de peso ou de comportamento. De acordo com os resultados obtidos, as obesas memorizaram mais as mensagens. “Elas relataram que mudaram a alimentação. Não houve um emagrecimento significativo, mas observamos que, depois de 30 dias, 60% das obesas e 44% das eutróficas perderam peso. Na segunda avaliação, 44,4% das obesas e 25% das eutróficas mantiveram esse processo”, detalha a pesquisadora.

Para a orientadora Rosa Wanda Diez Garcia, a pesquisa representa ganhos científicos e também para políticas públicas do setor. No caso da academia, como a professora ressalta, é inovador por avaliar o tempo de duração da memória da imagem. “É até comum vermos esse tipo de imagem em programas de tevê, mas nunca havia sido avaliada cientificamente a eficácia na orientação alimentar”, comenta. Outro aspecto importante é o fato de a investigação ter se erguido a partir dos problemas da população brasileira e ser de fácil aplicação.

Também sob orientação de Rosa Garcia, o instrumento imagético agora é detalhado na tese de doutorado de Flávia Micali. O novo objetivo é investigar a fundo o quanto as mudanças na alimentação influem diretamente na perda de peso e qual o poder da memória nesse processo. “Queremos trazer um benefício para a sociedade. Percebemos que tem mesmo o potencial de orientação alimentar e nutricional”, conclui Flávia.

Fonte: oimparcial



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