Faleceu na manhã desse último sábado (16.05) a idosa Isabel de Paula Sousa, de 75 anos, moradora da Av. Boa Esperança, Bairro São Joaquim, zona norte de Teresina. Ela foi vítima de um infarto fulminante, o qual se deu após agravamento do quadro de depressão provocada pela ameaça de remoção em virtude da implantação da 2º fase do Projeto Lagoas do Norte, promovido pela Prefeitura Municipal de Teresina.
A morte de dona idosa Isabel de Paula pode ser um dos sintomas do impacto social do Projeto Lagoas do Norte para a população teresinense. Na semana passada, a idosa concedeu entrevista a um canal de televisão local em que aparece chorando ao falar do medo de perder a sua casa. Os familiares e amigos próximos relatam que há dias que a idosa não se alimentava direito e andava deprimida pelas constantes ameaças de remoção, o que acreditam ter causado a sua morte súbita. A idosa deixa o seu irmão, que é deficiente físico, e o seu marido, Valdir, de 70 anos, que também está em estado grave pelo mesmo problema. Relatam também que não há agentes de saúde na região que tratem desses casos.
Os moradores da região estão em estado de choque e o clima de revolta contra a Prefeitura de Teresina é forte. Segundo a moradora Francisca Oliveira, as pessoas da comunidade estão adoecendo, sobretudo os idosos, desde que foram notificadas que teriam que deixar as suas casas com o projeto que prevê a duplicação da Av. Boa Esperança. Ela teme que outras mortes ocorram novamente, pois os casos de depressões e outros problemas de saúde se agravaram entre os idosos e que o uso de medicamentos só aumentaram nos últimos meses em virtude da postura autoritária da PMT, que tanta impor o projeto sem apresentar uma medida alternativa que evite a remoção involuntária dos moradores.
A comunidade aponta que existe um vínculo histórico e econômico dos moradores com a região e que o Projeto Lagoas do Norte não deve promover a higienização da população pobre, mas sim garantir o direito à saúde, à moradia digna, ao saneamento básico e ao transporte público, que funcionam precariamente na região.
O Ministério Público do Estado do Piauí, o Núcleo da Defensoria Pública do Piauí e outras entidades dos direitos humanos posicionaram-se contra as remoções, apontando diversas irregularidades na implantação do Projeto Lagoas do Norte, entre elas a ausência de diálogo por parte da PMT e de estudos sócio-ambientais que justifiquem a duplicação da Av. Boa Esperança apontam outras alternativas que não violem os direitos fundamentais da população.
Em virtude do falecimento da idosa, que participava ativamente das mobilizações contra as remoções, foi cancelada uma atividade comunitária na Av. Boa Esperança agendada para esse último domingo (17.05). A atividade seria realizada por um estudantes e docentes universitários e advogados, psicólogos e economistas para tratar do direito à moradia e meio ambiente.
Fonte: Da redação