HISTÓRIA
Luiz Brandão
18 de março de 2026 às 22:48
A política é feita de gestos, números e, sobretudo, de convicção. Em um país onde o discurso de desistência ronda os corredores do poder em momentos de tensão pré-eleitoral, a história da eleição de 2018 no Piauí merece ser revisitada não apenas como uma crônica de bastidor, mas como uma aula de liderança. O protagonista dela é o atual ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT) , cuja visão política e poder de convencimento evitaram o que poderia ter sido um colapso na chapa majoritária da época e pavimentaram o caminho para a hegemonia que se vê hoje nas pesquisas para o Senado.
Quem conta a história, com orgulho e em primeira mão, é o próprio senador Marcelo Castro (MDB). Em agosto de 2018, em meio à campanha eleitoral, o cenário era outro. Wellington Dias, então governador e candidato à reeleição, dividia a chapa majoritária com Marcelo Castro e Ciro Nogueira (PP), este último descrito na época como um "lulista fervoroso". Em uma agência de propaganda, cercado por marqueteiros, Marcelo Castro foi tomado por um momento de franca desistência. A ideia fixa era abandonar a corrida ao Senado e manter-se apenas como candidato a deputado federal.
Esse poder de persuasão, aliado a um pensamento positivo contagiante, sempre foi uma marca registrada de Wellington Dias. Não se trata apenas de otimismo, mas de uma capacidade analítica de enxergar potencial onde o outro vê barreiras. É a mesma visão que, como governador por quatro vezes, tirou o Piauí de indicadores críticos e o transformou em referência em políticas sociais. É a mesma resiliência que, à frente do Ministério do Desenvolvimento Social, o levou a ser eleito presidente do Mercosul Social e a comandar a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, sendo reconhecido até mesmo como liderança global no combate à fome.

A fidelidade lembrada por Marcelo Castro durante o anúncio oficial da chapa majoritária da base do governo, na sexta-feira (13/03), na sede do PT, ganha assim um peso simbólico enorme. Na ocasião, foi oficializado o nome de Rafael Fonteles (PT) como candidato à reeleição ao governo, com Washington Bandeira (ex-secretário de Educação) como vice, enquanto Marcelo Castro e Júlio César Lima (PSD) compõem a dobradinha para o Senado. O ato público foi a coroação de uma aliança forjada na confiança e na lembrança de que, sem a intervenção de Wellington Dias em 2018, aquele palco poderia não existir.
Neste momento em que Wellington Dias é cotado para assumir papéis ainda mais proeminentes na articulação política do governo Lula, a história do Piauí serve como um microcosmo de sua trajetória. Mais do que um gestor de políticas públicas, o ministro demonstra ser um verdadeiro artesão de vitórias. Seja em uma sala de agência de publicidade, dissuadindo um aliado da desistência, seja nos fóruns internacionais do G20, seu poder de convencimento e sua crença inabalável no resultado seguem sendo os maiores ativos de sua carreira. E, como os números de 2026 já começam a mostrar, o empurrão de Wellington Dias continua valendo cada voto.

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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