Especialista ensina como quebrar o ciclo da dor crônica que atinge as mulheres

No último episódio do podcast Mulher Mais a fisioterapeuta e doutora em Dor, Mariana Sanchez, falou sobre o tema

Ela aparece disfarçada de cansaço, de estresse ou é chamada de "frescura". Muitas vezes é abafada com um remédio comprado na farmácia da esquina e seguida pela culpa de não estar aguentando tudo. A dor crônica, uma companheira indesejada na vida de tantas pessoas, tem um alvo preferencial: as mulheres. Mas por que isso acontece? No último episódio do podcast Mulher Mais, gravado no estúdio do Portal Piauí Hoje, a fisioterapeuta e doutora em Dor, Mariana Sanchez, falou sobre o tema. Em entrevista à jornalista Michele Sâmia e à ex-vereadora Rosário Bezerra, ela explicou o que faz do corpo feminino um território mais vulnerável à dor que persiste.

A explicação, segundo a especialista, é uma complexa teia que une biologia, o funcionamento do cérebro e, de forma crucial, o peso de uma cultura que ensina a mulher a aguentar tudo calada. "A neurociência mostra que o cérebro da mulher é mais perceptivo a sons, cores e ambientes. É uma herança evolutiva do cuidado com a prole, mas que hoje também abre as portas para o sofrimento crônico".

No entanto, o fator mais determinante apontado pela fisioterapeuta é cultural. A chamada "Síndrome da Mulher Maravilha", que é aquela cobrança para ser super mãe, super profissional e manter tudo sob controle, cria um estado de alerta constante no corpo. "A gente vê a mulher fazendo trabalho com enxaqueca, cuidando de filho doente com dor nas costas. Culturalmente, somos ensinadas a ser mais resignadas", destacou.

Esse ambiente de estresse permanente, segundo ela, é o combustível ideal para a cronificação da dor. O hábito de se automedicar, comum diante da correria diária, foi apontado como um perigo grave. "A automedicação é um grande problema de saúde pública. O uso incorreto de remédios pode favorecer a piora da dor, em vez de resolver", alertou, ressaltando que uma dor que dura mais de três meses após um machucado já é um sinal vermelho. E para as que estão entrando na menopausa, o aviso é ainda mais sério. "Infelizmente, os hormônios que fazem a gente ter menos dor caem. O corpo feminino fica ainda mais sensível".

Apesar do cenário preocupante, Dra. Mariana afirma que a prevenção está ao alcance de todas. O primeiro remédio é movimentar o corpo com uma atividade que traga prazer. "Qualquer exercício é bom, mas principalmente aquele que você se sente bem. O importante é não ficar parado, porque é a pior opção".

A especialista, que atende majoritariamente mulheres em seu consultório, orienta também cuidar da saúde mental, dosando o uso de redes sociais, por exemplo. "As redes sociais trazem um comportamento de pensamentos ansiosos, um estado de aceleramento. Isso favorece o aparecimento de dores". Priorizar um sono de qualidade longe das telas e, talvez o conselho mais libertador, permitir-se momentos de lazer sem culpa são atitudes essenciais. "Nós, mulheres, temos dificuldade de ter um momento para nós. Os homens vão ao futebol e pronto. Precisamos dessa pausa".

Ela aconselha ainda quanto ao consumo de bebidas alcóolicas. "Cervejinha e dor crônica não combinam. O álcool é muito inflamatório e sensibiliza o corpo. Troque por uma cajuína maravilhosa", sugere.

Assista ao episódio completo: