Cientistas criam neurônio que pode curar lesões na medula espinhal

"O objetivo é reformular os circuitos afetados, substituindo interneurônios danificados para criar novos caminhos para a transmissão do sinal", explicou um dos

Cientistas dos Institutos Gladstone, nos Estados Unidos, criaram, a partir de células estaminais, um tipo especial de neurônio que pode potencialmente reparar lesões da medula espinhal. Estas células, interneurônios (que se ligam a outro neurônios) 'V2a', transmitem sinais na medula espinhal para ajudar a controlar os movimentos. Quando os investigadores transplantaram essas células na medula espinhal de ratos, os interneurônios integraram-se nas células existentes.

Os interneurônios 'V2a' retransmitem sinais do cérebro para a medula espinhal, onde se ligam a neurônios motores que se projetam para os braços e pernas. Assim, dizem os responsáveis do estudo, publicado nesta segunda-feira (24) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, os interneurônios percorrem longas distancias, subindo e descendo a medula espinhal para iniciar e coordenar movimentos musculares, bem como a respiração.

Danos nos interneurônios 'V2a' podem interromper as ligações entre o cérebro e os membros, o que contribui para a paralisia após lesões na medula espinhal. "Os interneurónios podem redirecionar-se após lesões na medula espinhal, o que os torna um alvo terapêutico promissor", disse um dos autores da investigação, Todd McDevitt.

"O nosso objetivo é reformular os circuitos afetados, substituindo interneurônios danificados para criar novos caminhos para a transmissão do sinal em torno do local da lesão", adiantou o investigador. Segundo o estudo, os investigadores produziram pela primeira vez interneurônios 'V2a' a partir de células estaminais humanas, criando substâncias químicas, e mais tarde ajustando-as, que gradualmente levavam as células base a desenvolverem os interneurônios .

Jessica Butts, primeira autora do estudo, explicou que o objetivo foi encontrar a forma de levar à produção de interneurônios 'V2a' em vez de outro tipo de células neuronais, como neurônios motores. Nas suas experiências, os cientistas implantaram interneurônios na medula espinhal de ratos saudáveis e verificaram que estes se integraram com as outras células. O próximo passo é, segundo os cientistas, transplantar células em ratos com lesões na medula espinhal, para ver se os interneurônios V2a se ajustam para restaurar os movimentos afetados pela lesão.