Ligação entre Deolane Bezerra e PCC vem à tona em operação

Bilhetes apreendidos levaram à investigação sobre lavagem de dinheiro envolvendo influenciadora

Bilhetes com ordens internas da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), apreendidos em 2019 em um presídio de Presidente Venceslau, São Paulo, impulsionaram a investigação culminando na Operação Vérnix. A operação, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil, levou à prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), os bilhetes não mencionavam Deolane, mas iniciaram as investigações que revelaram seu envolvimento na lavagem de dinheiro. Os valores provinham de uma transportadora criada pelo PCC. O dinheiro era então repassado para outros destinos para dificultar o rastreamento, com duas contas em nome de Deolane.

A operação também teve como alvos Marco Herbas Camacho, o Marcola, chefe do PCC, e outros membros da família Camacho, envolvidos em esquemas de lavagem de dinheiro e atualmente em diferentes países.

A Polícia Federal e o MP estão atuando internacionalmente em cooperação com a Interpol, emitindo seis mandados de prisão preventiva e bloqueando mais de R$ 327 milhões em bens e contas.

O promotor Lincoln Gakiya destacou a importância das investigações que ligaram o crime organizado a uma transportadora e ao prolongamento dos crimes mesmo com chefes como Marcola presos. Os desdobramentos da operação apontam para ligações de Deolane com outras atividades ilegais.

Segundo o procurador-geral de Justiça Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, as investigações indicaram que Deolane pode atuar como caixa do crime organizado, utilizando sua influência pública para misturar dinheiros de diversas origens.

Costa enfatizou que a prisão de uma influenciadora tão popular serve de exemplo e prevenção ao envolvimento com o crime organizado.