Dr. Pessoa promete extinguir oito secretarias e cortar gastos pela metade

As secretarias teriam sido criadas somente para abrigar aliados, viraram “cabides de emprego”

O deputado estadual Dr. Pessoa (PSD) promete, se eleito prefeito de Teresina,  cortar 50% dos gastos da prefeitura, reduzindo principalmente os cargos comissionados e o número de pastas. Serão cortadas pelo menos oito secretarias, porque teriam sido criadas somente para abrigar aliados, são “cabides de emprego”. O candidato a prefeito adianta que os secretário municipais de Educação e de Desenvolvimento Rural serão indicados, respectivamente, pelos professores, em lista tríplice, e pelos produtores rurais, que terão um maior incentivo em sua administração para produzir o que a população de Teresina importa de estados como o Ceará.  Sobre a sua presença num eventual segundo turno, Dr. Pessoa disse que espera contar com o apoio de todos os partidos que fazem oposição ao prefeito de Teresina, Firmino Filho, sem nenhuma barganha para ter esse apoio. O candidato reclama mais apoio do partido. “Tem que me cheirar mais”.

Bom humor: marca registrada do Dr. PessoaFoto: Paulo Pincel

Piauihoje: Deputado, o senhor decidiu ser prefeito de Teresina. Qual foi a motivação que o levou a se candidatar a prefeito?

Dr. Pessoa: Foi a minha história de luta sempre em defesa das pessoas mais humildes, mais vulneráveis, e o chamamento do próprio povo de Teresina. Eu não ia sair candidato a prefeito de Teresina se não houvesse esse chamamento. No mês de setembro alguns amigos deputados estavam fazendo pesquisa interna aí disse, ‘Ó deputado Pessoa, o povo tá querendo que inclua seu nome’. Aí eu fui incluído e logo na primeira estava entre os três mais bem citados. E quando foi de janeiro em diante, eu sempre estive mais bem citado que os demais. Portanto, foi um chamamento do povo pautado na minha cidadania de querer fazer mais em benefício do povo humilde.

O senhor tem um passado de luta. O senhor é um homem humilde, que cursou medicina, fez especializações, entrou na política, sempre baseado nessa proximidade com o povo. Esse seria um benefício à sua candidatura, essa sua ligação com o povo?

Na realidade, desde pequeno, eu tive esse relacionamento de servir. Eu denudei na roça, quando rapazinho, quando uma pessoa se lesionava, eu era quem fazia o curativo, eu quem botava o remédio... Eu fiz especialização médica como fiz também em São Paulo, em Ribeirão Preto, na universidade, a faculdade onde eu me formei.

Teresina tem muitos problemas. E isso decorre dessa proximidade da prefeitura com a Câmara Municipal... como é que o senhor vê essa relação entre a prefeitura e os vereadores?

O Robert (Rios, deputado) mostrou que os parlamentares, de modo geral, não ter liberdade. Vivem de pires na mão com o poder Executivo. São subservientes na maioria, não são todos, mas na maioria absoluta são subservientes. E consequentemente, se o gestor não tiver voltado para os interesses da sociedade, as coisas não fluem adequadamente. Portanto, eu estive no governo do PSDB, apoiando, não era do governo, mas vários questionamentos que eu sabia que era bom pra comunidade foi rejeitado. Mas eu continuei tentando, conversando. Quando eu vi que era muito ‘concentrista’ (centralizador), era muito para aqueles que se curvavam mesmo sendo com objetivo maléfico para a sociedade, ele fazia o bloco dele. E consequentemente, nesse bloco eu não entro, saí desse bloco.

Esse bloco é o mesmo que está se repetindo agora nas eleições municipais deste ano?

Na realidade, eu nunca pertenci a bloco, eu fui independente. Eu apoiava, mas independente. Esse blocão é atraído pelo poder econômico. Porque que o Dr. Pessoa só tem um perfil, que aí as pesquisas são maquiadas, então preocupado comigo, então isso mostra que eu sou um bom cidadão. E correram pra lá, atrativo pro poder econômico. Infelizmente é o poder econômico que vem e desgraçam a sociedade.

Eles não foram para lá de graça...

Não, de jeito nenhum. Eu to lhe dizendo aqui que hoje por algum lugar que eu passei, eu perguntei: Mas como é que sua casa tá cheia de panfleto, pra botar dois panfletos daqueles é 100 reais O MP vai saber, a lei vai saber dessas coisas...

O senhor vai denunciar?

Não, eu não denuncio ninguém, é o jurista, é a equipe jurística. Eu vi e constatei o fato.

Dr. Pessoa no plenário da Assembleia LegislativaFoto: Paulo Pincel

O candidato adiantou à imprensa de que duas de suas pastas serão indicadas por trabalhadores. A educação e o desenvolvimento rural. E que o senhor vai extinguir as secretarias. Como é que vai se dar essa reforma que o senhor pretende fazer na prefeitura?

Olha, quem quiser servir bem ao povo que paga impostos, tem que a coisa ser correta. E eu quero servir bem ao povo e, com minha equipe, estamos fazendo a coisa correta. Como é que eu vou levar, indicar um ruralista que ele não sabe, só sabe usar a gravata? Um ruralista tem de ser um formato em agricultura, ou técnico em agricultura que vai lidar com a terra, que conhece com profundidade, que conhece mais de que o Dr. Pessoa, apesar de que eu trabalhei dos 5 anos aos 20 anos na roça. Mas um cara preparado, um agrônomo, tem muito mais. Então a classe dos ruralistas é quem vai escolher o secretário. Quem é que deve dirigir a educação? São os professores. Os professores é quem vão, em eleição direta, é quem vão dizer. Nem o vereador, e nem o prefeito vai dizer: é aquele. Quem vai dizer quem vai ser o secretário de educação são os professores.

E a questão do corte de gastos na prefeitura?

Ah! Tem excesso, parece que diminuiu um, eu não sei, era 33, vai ficar em torno de 26, se for 33, 26 é quase umas 9, 8 ou 9. Aí sobra dinheiro, porque tem muitas delas que é cabide. Como é cabide de emprego é secretaria de governo. E nós vamos diminuir drasticamente. Aí alguém me pergunta: como é que o senhor vai fazer essas coisas? Oia, tá sobrando dinheiro à beça. Mais que no meu primeiro ano de governo eu vou contratar um bocado de pedreiro pra tampar ralo que corre o dinheiro pra dentro do ralo

O Dr. Pessoa tem muitas propostas, algumas inovadoras. Quais o senhor apontaria como prioridades em seu governo?

Uma na área da saúde. Toda pessoa que vai se consultar de Teresina, não tô dizendo do Maranhão ou do interior do Piauí, de Teresina, vai e volta com a consulta marcada. Recém-nascido até o vovô de 110 anos. Outra proposta dentro da saúde, o hospital da mulher, o complexo de atendimento da mulher e o hospital infantil. Vou pular pra outro caminho, a assistência social, que é aumentar a quantidade de CRAS, só tem em torno de 22 ou 23, a necessidade básica é mais de 50. Nós vamos trabalhar pra chegar à necessidade básica. Não tô afirmando. A CMEI, a escola infantil, a creche, o que mais se vê de reclame da creche é de tempo parcial e ausência, pouco tá servindo à comunidade. A mãe quer ir trabalhar, o pai não pode, tem que trabalhar, e a criança fica onde? Então nós vamos aumentar a quantidade e vai ser novadora e tempo integral, porque a que tem é tempo parcial.

Segurança...

Nós temos, tá mais ou menos com 18 anos que eu fiz um projeto de lei. Eu não, Tito Teles, advogado e policial civil, ele era vereador e eu fui coautor, pra ter guarda municipal. Na época, o prefeito que aí está dizia que não era de responsabilidade a segurança do governo municipal. Todos nós sabemos que é mais do governo estadual e federal, mas como é que atualmente tem mais ou menos em torno de 900 mil habitantes, que é 3 milhões e 200 mil o Piauí todo, né. Como é que eu vou, não tem responsabilidade com a segurança, só que a segurança eu não tô chamando pra mim a segurança. A segurança vai começar no primeiro ano, mil guardas municipais. Integrado com a Polícia federal, a Polícia civil, a polícia militar, a polícia rodoviária, todos os entes que fazem parte da segurança pública em Teresina e consequentemente no estado do Piauí. Trabalhar integrado. Esses mil guardas irão pra onde? Pras escolas, proteger o professor, diretor e os alunos, e o pai dos alunos, e a mãe dos alunos que levam as crianças. Esses guardas irão pra onde? Acompanhar e ou até ficar estático nos pontos de ônibus, área vulnerável. Esses guardas irão ficar nas praças, as praças hoje em dia é de vândalo. Família não vai mais pra praça. Nem em casa, em resumo, é uma polícia auxiliar de mais ente de segurança com poder de polícia, armar e etc. Mas não vai trabalhar só. É integrado.

Como é que o senhor pretende negociar com os outros partidos se houver segundo turno e caso o senhor esteja na disputa?

Caso eu esteja no segundo turno, eu vou chamar oposição para trabalharmos juntos sem barganha. Até agora, tô dizendo livremente, secretário de educação e secretário rural. Sem indicação de ninguém. Por sinal, tô só. Eu não vou nem dizer, não tô com empresário, não tô com senador, não tô com juiz, eu não tô com...

O candidato tem o apoio do seu partido

Parcial, bem parcial... Recebi do meu partido 180 mil, que deu para pagar a metade da produção da mídia. O meu partido me deu convenção. E o resto é o Dr. Pessoa que está caminhando com as próprias pernas. Portanto, meu partido me cheira pouco, precisa me cheirar mais, mas é isso a realidade”.