Representantes dos farmacêuticos e dos donos de farmácias divergiram sobre a aprovação de um piso salarial nacional para a categoria. O debate ocorreu na Câmara dos Deputados nessa terça-feira (5).
Um projeto do deputado André Abdon (PP-AP) propõe um salário base de R$ 6.500 para profissionais de farmácia, ajustado pela inflação a partir de 2022 (PL 1559/21). Este valor poderia atingir quase R$ 8 mil atualmente, segundo Marcelo Fernandes de Queiroz, da Confederação Nacional do Comércio.
Os donos de farmácias alegam que o piso é inviável para pequenos negócios, especialmente no Norte e Nordeste, podendo levar ao fechamento de estabelecimentos. Queiroz destacou que isso resultaria em um impacto de R$ 1,9 bilhão no setor, com possíveis cortes de 50 mil postos de trabalho.
Rafael Oliveira Espinhel, da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico, apontou que 94 mil farmácias no Brasil são, em maioria, micro e pequenas empresas, faturando entre R$ 60 mil e R$ 70 mil mensais, com lucro líquido de R$ 4 mil.
Walter da Silva Jorge João, presidente do Conselho Federal de Farmácia, contestou, afirmando que o impacto seria de menos de 2% do faturamento anual do setor, que foi de R$ 240 bilhões. Ele comparou a situação à introdução do décimo terceiro salário, que não causou fechamento de negócios.
João também afirmou que 30% dos pequenos estabelecimentos pertencem a farmacêuticos, não sendo afetados pelo piso. Para ele, valorizar o profissional é essencial para o sucesso do negócio.
No setor público, afirma-se que o impacto seria mínimo, com muitos profissões já recebendo acima do piso. Entretanto, Fábio Basílio, presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos, destacou que alguns concursos oferecem apenas R$ 1.300.
O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) defendeu a uniformização salarial entre farmacêuticos e prevê entregar um relatório sobre a proposta nos próximos 15 dias.