​Confira a lista de autoridades e jornalistas espionados ilegalmente pela “Abin Paralela”

Relatório indica que rede clandestina no governo Bolsonaro usou software israelense sem aval judicial

A Polícia Federal concluiu que uma rede clandestina de espionagem operou dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), rastreando ilegalmente ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), parlamentares, jornalistas e servidores públicos. O relatório final do inquérito foi encaminhado nesta terça-feira (17) ao STF e aponta o uso do software israelense FirstMile para vigiar opositores, sem qualquer autorização judicial.

A investigação, parte da operação Última Milha, identificou que a estrutura de vigilância atuava com objetivos políticos e eleitorais, especialmente no contexto das eleições de 2022. A PF solicitou o indiciamento de Bolsonaro, de seu filho Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin, e de servidores da agência, incluindo integrantes da atual gestão, por tentativa de obstrução das investigações.

Segundo o relatório, “a espionagem foi viabilizada por uma estrutura clandestina montada dentro da Abin”, com o uso de tecnologia que acessava dados de geolocalização em tempo real a partir de falhas nas redes de telefonia.

Alvos identificados pela PF como espionados ilegalmente:

Poder Judiciário

Poder Legislativo

Senadores da CPI da Covid:

Poder Executivo e servidores

Auditores da Receita Federal:

Jornalistas

O relatório mostra que os alvos foram selecionados por critério político ou por críticas ao governo federal. A Abin, na época, teria operado como braço de vigilância do Palácio do Planalto. 

O sistema de espionagem funcionava fora dos parâmetros legais, sem qualquer controle externo ou autorização judicial

Além do monitoramento ilegal, o inquérito também apura tentativas de interferência na investigação por parte de membros da Abin na atual gestão. O caso segue sob sigilo no STF. A Procuradoria-Geral da República deverá se manifestar antes que o ministro Alexandre de Moraes decida sobre o recebimento da denúncia.

Caso os indiciamentos sejam acolhidos, o escândalo da “Abin Paralela” poderá se tornar uma das principais acusações criminais contra Bolsonaro e aliados no Supremo.

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