Com leis que protegem crianças nas redes sociais, ECA digital já está valendo

Nova lei amplia proteção de menores em redes sociais, jogos e aplicativos e impõe obrigações mais rígidas às plataformas digitais

Entra em vigor nesta terça-feira (17) o chamado ECA Digital, legislação que atualiza o Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente online. A norma foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 18 de setembro de 2025 e passa agora a valer em todo o país, impondo novas responsabilidades às plataformas digitais.

A lei estabelece regras para redes sociais, jogos eletrônicos, aplicativos e outros serviços digitais acessados por crianças e adolescentes, mesmo quando as empresas responsáveis estão sediadas fora do Brasil.

Mais controle e proteção no ambiente digital

Entre as principais mudanças, está a exigência de mecanismos mais eficazes de verificação de idade. A medida busca impedir que menores acessem conteúdos inadequados apenas informando dados falsos no cadastro.

As plataformas também passam a ser obrigadas a oferecer ferramentas de controle parental e a agir com mais rapidez na remoção de conteúdos ilegais ou prejudiciais envolvendo menores.

Outro ponto central é a proteção de dados. A nova legislação endurece as regras para coleta e uso de informações pessoais de crianças e adolescentes, priorizando a privacidade e a segurança digital.

Autor da PL 2.628/2022 que deu origem à nova legislação, o senador Alessandro Vieira destacou o caráter coletivo da proposta e o impacto direto sobre as plataformas digitais.

A sociedade civil se mobilizou, as equipes técnicas se envolveram. Estamos igualando parcialmente a atividade de algumas das empresas mais poderosas do capitalismo. Esta é a primeira lei das Américas sobre o tema. É fruto de um trabalho coletivo. A partir da sanção da lei, as empresas serão obrigadas a organizar seus produtos e serviços de forma mais segura e adequada ao público infantil e adolescente.

O que muda na prática a partir de hoje

Com a entrada em vigor do ECA Digital, uma série de regras passa a valer imediatamente para empresas que operam serviços online no Brasil. 

Responsabilização das plataformas

Com a entrada em vigor do ECA Digital, empresas de tecnologia passam a responder de forma mais direta pelos riscos enfrentados por usuários jovens. A legislação exige medidas de prevenção contra situações como:

O descumprimento das novas regras pode resultar em penalidades severas para as empresas. As multas variam a partir de R$ 10 por usuário cadastrado na plataforma, podendo chegar ao limite de R$ 50 milhões, a depender da gravidade da infração.

Além das sanções financeiras, a legislação também prevê a possibilidade de suspensão das atividades das plataformas no Brasil, de forma temporária ou até definitiva em casos mais graves.

Uso massivo da internet entre crianças e adolescentes

Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mostram a dimensão do desafio enfrentado pela nova legislação.

Em 2025, cerca de 92% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos utilizavam a internet — o equivalente a aproximadamente 24,5 milhões de pessoas. Desse total, 85% já possuíam perfil em ao menos uma rede social. O levantamento também revela que o acesso começa cada vez mais cedo. Entre crianças de 9 e 10 anos, 64% já têm contas em plataformas digitais. O índice sobe para 79% na faixa de 11 a 12 anos e chega a 91% entre adolescentes de 13 e 14 anos.

Entre os jovens de 15 a 17 anos, a presença é praticamente universal: 99% dos usuários de internet nessa faixa etária estão em pelo menos uma rede social.

Lei não prevê censura

Apesar das novas exigências, o texto não autoriza monitoramento generalizado das publicações. A remoção de conteúdos deve seguir critérios definidos e pode ser solicitada por vítimas, responsáveis legais ou autoridades competentes.

Famílias seguem com papel central

Especialistas apontam que, embora a lei aumente a responsabilidade das plataformas, pais e responsáveis continuam sendo fundamentais na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

A recomendação é combinar diálogo, supervisão e uso de ferramentas de controle para reduzir riscos.

A criação do ECA Digital reflete a crescente presença de crianças e adolescentes na internet e os desafios associados a esse cenário. Com a nova legislação, o Brasil busca equilibrar acesso à tecnologia com a garantia de direitos e segurança no ambiente online.