Testemunha-chave da morte de jogador pede proteção

Jovem testemunhou espancamento de jogador na casa de empresário

Um rapaz apontado pela polícia do Paraná como testemunha-chave do caso da morte do jogador de futebol Daniel Corrêa de Freitas deu uma declaração à imprensa no escritório de seu advogado na capital de São Paulo nesta quinta-feira (1º) (veja vídeo acima).

Ele relatou como foram as agressões que disse ter visto o atleta sofrer numa casa em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no último sábado (27 de outubro). O corpo de Daniel foi encontrado no dia seguinte num matagal da cidade.

Segundo o advogado da testemunha, Jacob Filho, o jovem veio à São Paulo porque teme pela própria vida após ser ameaçado pelos agressores do jogador no Paraná. O rapaz prestou depoimento na delegacia de São José dos Pinhais nesta quarta-feira (31), quando foi feito pedido de proteção à testemunha para ele. A solicitação ainda não foi avaliada pela polícia.

O rapaz aceitou gravar um vídeo desde que seu rosto não aparecesse, a voz fosse distorcida e o nome não fosse revelado. Ele contou que estava em uma casa noturna na festa da filha do empresário, que comemorava 18 anos. O homem teria convidado um grupo de jovens a irem continuar a comemoração na casa deles. Daniel apareceu e foi junto com o grupo em um carro de aplicativo.

"Ficamos lá bebendo mais, comemorando mais. O pai dela tinha chamado para fazer esse after lá. Passou um tempo o rapaz em questão sumiu do lugar. Saiu dali. Não sei por qual motivo o pai dela e o menino entraram na residência", disse o rapaz, que chegou a chorar durante a declaração à imprensa.

"Passados uns dez minutos ouvi muita gritaria pedindo socorro para que acudisse, para que não acontecesse uma tragédia. Nisso eu fui pela janela pelo lado de fora e avistei o que estava acontecendo. O rapaz que veio a óbito estava sendo enforcado, apanhando muito muito. Nisso entraram mais dois rapazes e ajudaram a bater nesse.

De acordo com o advogado de defesa do empresário, o homem reagiu por que a mulher dele teria gritado por socorro porque estaria sendo estuprada por Daniel. No inquérito policial constam fotos de Daniel ao lado de uma mulher aparentemente dormindo e mensagens do jogador para amigos nos quais ele diz que estava na cama com a mulher.

A testemunha relatou: "Depois entrou mais um no quarto, arrancaram ele do quarto já bem machucado, bem debilitado. Jogaram ele um pouquinho para fora da garagem e continuaram a espancar ele. Falaram palavras de baixo calão. E um deles disse: 'Mexeu com mulher de bandido, vai morrer'".

Ele relatou ter sofrido ameaças. "Eu tentei acudir para impedir a tragédia, mas não tem o que fazer. No momento que eu tento separar, o rapaz em questão olha pra mim e fala: sai daqui. Você não me ajudou. Você vai ser o próximo."

A testemunha disse que ficou com a amiga esperando os homens saírem da casa para então irem embora.

O corpo de Daniel foi encontrado no sábado (27), em uma mata perto de uma estrada rural na Colônia Mergulhão, em São José dos Pinhais. Estava nu só com uma camiseta e com sinais de mutilação.

Ainda de acordo com o rapaz, após deixar a casa passou a receber mensagens e ligações das pessoas e dos donos da residência pedindo para conversar com ela. "A partir daí começamos a receber ligações mensagens para que nos encontrar sim, pedindo para conversar."

E a testemunha soube que houve um encontro entre os donos da casa e outras testemunhas no qual o dono da residência falou que elas deveriam dizer o seguinte a polícia:

"Passaram uma história de que o rapaz tinha chegado na residência, ficado de canto, mexendo no celular e a porta estava aberta e ele simplesmente saiu e ninguém viu. Para onde foi. Mas não foi assim."

O suspeito de matar o ex-jogador do Coritiba Daniel foi preso na manhã desta quinta-feira (1º) em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A prisão ocorreu na casa onde o empresário de 38 anos mora.

"Trata-se de um pai de família que se viu na contingência de ter que reagir a um estupro que estava ocorrendo conta a mulher dele. A mulher gritou por socorro. Ele arrombou a porta, e esse indivíduo estava em cima da mulher dele tentando estuprar essa mulher", afirmou o advogado Cláudio Delladone, que defende o suspeito Edson Brittes Júnior e a esposa.

De acordo com o advogado, a prisão é temporária. A filha de 18 anos do suspeito também foi presa nesta manhã, no mesmo local, segundo o advogado. Eles saíram da residência e seguiram para a delegacia por volta das 8h15.

Conforme Dalledone, a esposa do suspeito se apresentou à polícia, na quarta (31). A mulher de 35 anos é mãe da jovem presa. Contudo, a RPC apurou que, na verdade, ela foi presa. A Polícia Civil confirmou. Elas foram detidas para "averiguação", ainda de acordo com o advogado.

Veja o vídeo divulgado pelo G1!

http://g1.globo.com/sao-paulo/videos/v/testemunha-relata-agressoes-ao-jogador-daniel-morto-no-parana/7130387/