PF aponta uso de policiais federais para espionagem e intimidação em esquema de Vorcaro

Investigação cita delegada, agentes da ativa e aposentados em grupo acusado de acessar dados sigilosos e monitorar adversários de Daniel Vorcaro

A investigação da Polícia Federal aponta que policiais federais da ativa, aposentados e uma delegada participavam de um esquema clandestino de intimidação, espionagem e obtenção ilegal de informações sigilosas em favor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

As informações constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 6ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14).

Segundo a PF, os investigados integravam um núcleo chamado “A Turma”, apontado como responsável por ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos e acessos indevidos a sistemas governamentais para atender aos interesses de Daniel Vorcaro.

De acordo com os investigadores, o grupo fazia parte de uma estrutura paralela de vigilância supostamente comandada pelo banqueiro, que atualmente está preso.

Policiais federais são investigados

Entre os investigados citados pela Polícia Federal estão:

Segundo a investigação, Valéria e Francisco teriam repassado informações sigilosas a Marilson Roseno da Silva após consultas realizadas no sistema e-Pol, plataforma interna da Polícia Federal.

A decisão judicial também menciona Manoel Mendes Rodrigues, descrito como “empresário do jogo do bicho” no Rio de Janeiro e apontado como líder de um braço local do grupo.

Para a PF, as ações demonstram infiltração da organização em “circuitos informacionais sensíveis”, utilizando pessoas com acesso privilegiado para facilitar a circulação de recursos financeiros e dados sigilosos.

Grupo atuava em ataques cibernéticos, diz PF

As investigações apontam ainda a existência de um segundo núcleo, chamado “Os Meninos”, descrito pela PF como um grupo com atuação tecnológica voltada para ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico ilegal.

Segundo os investigadores, ambos os grupos eram gerenciados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”, apontado como responsável por executar ordens do chamado “núcleo central da organização criminosa”.

Pai de Daniel Vorcaro foi preso

Durante a nova fase da operação, a Polícia Federal prendeu Henrique Moura Vorcaro em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

De acordo com a PF, Henrique Vorcaro seria responsável por solicitar serviços ilícitos e realizar pagamentos aos integrantes dos grupos investigados.

Ao todo, sete mandados de prisão foram cumpridos. Entre os alvos estão:

PF investiga acesso ilegal a inquérito

A representação da Polícia Federal afirma que, em 2024, Marilson Roseno da Silva teria procurado auxílio de pelo menos três policiais federais para acessar informações internas da corporação.

Segundo os investigadores, o objetivo era descobrir detalhes de um inquérito no qual Henrique Moura Vorcaro teria sido intimado.

Em um dos trechos destacados pela PF, Marilson envia mensagem a Anderson Wander da Silva Lima informando que “um parceiro vai encontrar comigo aqui e vai trazer uma sucinta aqui”, junto à imagem da intimação enviada a Henrique Vorcaro.

Para os investigadores, o episódio reforça a suspeita de que o grupo atuava não apenas em intimidações e cobranças, mas também na obtenção de informações sigilosas relacionadas a investigações de interesse direto do empresário.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Henrique Vorcaro afirmou, em nota enviada à TV Globo, que a decisão judicial se baseia em fatos cuja legalidade e racionalidade econômica ainda não teriam sido comprovadas.

“Constata-se que decisão se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele”, afirmou a defesa.

Os advogados também disseram que irão apresentar esclarecimentos sobre o caso.