PCC na Faria Lima: PF prende seis em esquema bilionário ligado à facção

Investigação aponta que PCC que adulterava combustíveis e lavava dinheiro. Alvos são investigados por fraudes fiscais, ambientais e econômicas.

Milhões de litros de combustível adulterado vendidos em todo o país e um prejuízo de mais de R$ 7,6 bilhões em impostos para os cofres públicos. Esse é o balanço inicial da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28) pela Polícia Federal e Receita Federal, que já prendeu seis pessoas, um deles, um ex-policial. O alvo: um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

As investigações revelaram que o PCC agia em várias etapas da cadeia de combustíveis, desde a importação irregular de produtos químicos para adulterar a gasolina e o diesel até a distribuição em postos. As autoridades estimam que mais de 300 postos estejam envolvidos nas fraudes, mas o setor calcula que o número real pode ser bem maior, chegando a 2.500 estabelecimentos somente no estado de São Paulo.

Esquema de lavagem de dinheiro e prisões

O esquema de lavagem de dinheiro do PCC se estendia ao mercado financeiro. A Receita Federal identificou 40 fundos de investimentos, com patrimônio de R$ 30 bilhões, controlados pela facção, que utilizava membros infiltrados na Avenida Faria Lima, em São Paulo, para ocultar os bens.

Até o momento, a polícia cumpriu seis dos 14 mandados de prisão preventiva. Entre os presos estão:

As autoridades ainda procuram outras oito pessoas, consideradas peças-chave no esquema, incluindo:

A operação acontece simultaneamente em oito estados: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

PCC lavava bilhões em esquema com combustível e fintechs, aponta investigação

O PCC usava a importação de metanol e a adulteração de combustíveis para gerar lucros bilionários, que eram depois lavados em um complexo esquema financeiro que envolvia até mesmo o mercado da Faria Lima, em São Paulo. Essa é a conclusão da Operação Carbono Oculto, que mobilizou a Polícia Federal, Receita Federal e outros órgãos de oito estados brasileiros para desarticular a organização criminosa.

Como funcionava o esquema

As investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) revelaram que a fraude começava na importação irregular de metanol, uma substância altamente tóxica e inflamável. O produto, que chegava pelo Porto de Paranaguá (PR), era desviado para postos e distribuidoras, onde era misturado à gasolina e ao diesel, adulterando o combustível.

Além disso, as investigações apontaram que os criminosos também praticavam fraudes quantitativas, vendendo volumes menores do que o consumidor pagava. Alguns proprietários de postos que venderam seus estabelecimentos para a rede criminosa sequer receberam o valor da transação e foram ameaçados de morte ao tentar cobrar.

O dinheiro das fraudes era lavado em uma complexa rede de empresas de fachada, fundos de investimento e instituições de pagamento. Segundo os investigadores, uma parte dos lucros foi usada para comprar usinas sucroalcooleiras, distribuidoras, transportadoras e postos de combustível, ampliando a estrutura criminosa.

Fintechs bilionárias e lavagem de dinheiro

A lavagem de dinheiro passava por fintechs controladas pelo crime organizado, que operavam como um "banco paralelo" para o PCC. Pelo menos 40 dessas empresas financeiras foram identificadas, com um patrimônio de R$ 30 bilhões. Elas financiavam a compra de postos, caminhões, usinas de álcool, fazendas e até casas de luxo, utilizando uma contabilidade paralela que dificultava o rastreamento do dinheiro.

Segundo a Receita Federal, essas instituições de pagamento permitiam transferências entre empresas e pessoas físicas sem que os beneficiários fossem identificados, o que facilitava a ocultação do dinheiro. O uso de fundos de investimento com cotista único, muitas vezes outro fundo de investimento, também era uma tática para blindar o patrimônio.

Força-tarefa para recuperar o prejuízo

O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (CIRA/SP) vai pedir o bloqueio de bens dos envolvidos para recuperar os R$ 7,6 bilhões em impostos sonegados.

A operação é uma ação coordenada do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Receita Federal, Secretaria da Fazenda de SP, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP).