Um esquema sofisticado de fraude tributária, que operava sob a fachada de consultoria para reduzir impostos, foi o alvo principal de uma operação deflagrada pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) nesta quinta-feira (30). A investigação aponta que uma empresa sediada em Teresina sofreu um prejuízo superior a R$ 13,5 milhões após ser induzida a comprar créditos inexistentes para abater dívidas junto à Receita Federal. Como parte da ação para recuperar os ativos, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 10.075.476,23 e o sequestro de oito imóveis pertencentes aos envolvidos.
Segundo o delegado Matheus Zanatta, superintendente de Operações Integradas (SOI), o golpe teve início em 2016. Durante anos, a empresa vítima pagou honorários vultosos aos criminosos acreditando estar em dia com o fisco, mas o cenário de regularidade era apenas uma "falsa sensação". A fraude foi desmascarada em 2022, quando a Receita Federal notificou que os créditos eram fraudulentos e aplicou uma multa de quase R$ 4 milhões à empresa piauiense. O prejuízo total soma o valor pago ao grupo criminoso e as penalidades impostas pelos órgãos de fiscalização.
Intermediação de contador em Teresina e lavagem de dinheiro
O esquema tinha ramificações entre Teresina e Goiânia (GO), onde funcionava o núcleo operacional do grupo. No Piauí, as investigações identificaram a participação de um contador, que teria sido a peça-chave para intermediar a venda dos créditos falsos e recebido cerca de R$ 500 mil em comissões.
Durante as buscas em seu escritório e residência, foram apreendidos documentos, aparelhos celulares e uma arma de fogo. Três suspeitos principais, identificados apenas pelas iniciais, F.L.F.C., A.S. e F.W.B., lideravam a organização, que utilizava laranjas e empresas de fachada para movimentar os valores obtidos ilicitamente.
O grupo responderá pelos crimes de estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. De acordo com a SOI, após o recebimento dos honorários, o dinheiro era "pulverizado" em diversas contas bancárias e convertido em bens de luxo, como carros e imóveis, para ocultar o patrimônio. Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão. A polícia agora foca na extração de dados dos dispositivos eletrônicos apreendidos para identificar se outras empresas no estado também foram vítimas da falsa consultoria.
“Essa operação é resultado de um trabalho investigativo minucioso, que revelou um esquema sofisticado de fraude tributária. Nosso objetivo é interromper a atuação do grupo, garantir a recuperação de ativos e responsabilizar criminalmente todos os envolvidos”, destacou o delegado Zanatta