Caso Henry: prints do celular revelaram agressões

Delegado afirma que prints da babá expuseram farsa na morte de Henry Borel durante julgamento no Rio.

O delegado Edson Henrique Damasceno, à época responsável pela investigação da morte do menino Henry Borel, de 4 anos, em março de 2021, declarou neste dia 26 de setembro que a análise de prints de mensagens da babá revelou a "farsa" por trás da tragédia.

"Se não tivessem esses prints, a mentira iria seguir", disse durante o segundo dia de julgamento no 2º Tribunal do Júri, no Rio de Janeiro.

Damasceno, à época chefe da 16ª Delegacia Policial na Barra da Tijuca, local onde moravam Jairo Souza Santos Júnior (Dr. Jairinho) e Monique Medeiros, pais de Henry, referenciou que a investigação recebeu um novo rumo com o laudo cadavérico indicando "graves lesões".

"Lesões no rim, pulmão, cabeça, fígado, equimose no corpo", detalhou ele. O casal alegou, na ocasião, que esses ferimentos foram causados por uma queda da cama, uma versão refutada por uma simulação feita no local.

Damasceno afirmou que os prints do celular da babá Thayná de Oliveira Ferreira expuseram relatos de agressão de Jairinho contra Henry, contrários ao testemunho dela na delegacia. Conversas evidenciaram que Henry saía "mancando e com dor na cabeça" após estar trancado com Jairinho.

Damasceno mencionou ainda que Monique estava ciente das agressões e não se encontrava sob submissão, contradizendo a defesa do casal. As mensagens mostraram que a mãe recebia orientação para apagar mensagens do celular.

A perícia utilizou a ferramenta Cellebrite para recuperar dados apagados, essencial para a investigação dos fatos.

Durante o julgamento, Jairinho permaneceu com expressão séria enquanto Monique alternava momentos visivelmente abatida.

O delegado também relatou que Jairinho pressionou o Hospital Barra D'Or para atestar a morte de Henry sem exame no IML, que teria sido crucial para recolher provas.

A acusação mencionou que Jairinho exerceu influência devido a sua posição como vereador e filho de um policial militar de destaque.

Outras vítimas de agressões por parte de Jairinho, segundo depoimentos, incluem filhos de ex-companheiras. Relatos de abuso contra crianças foram detalhados no tribunal.

O julgamento envolve 7 jurados e é previsto para durar cinco dias, com a presença de outras testemunhas.

Movimentos recentes incluem a renúncia de um dos advogados de Jairinho, em protesto contra a decisão de não adiar o julgamento.