A guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura mais de dois anos, ganhou um novo e inesperado capítulo com a incursão ucraniana na região russa de Kursk. Em uma ação audaciosa, soldados ucranianos cruzaram a fronteira russa na madrugada de 6 de agosto e avançaram até o distrito de Belovski, onde se confrontaram com forças russas.
O ataque, que ocorreu após meses de tensões crescentes e preparações militares, levou o governo de Kursk a ordenar a evacuação de cerca de 11 mil residentes da região. O governador interino de Kursk, Alexei Smirnov, confirmou a evacuação, destacando que a maioria da população local teve que deixar suas casas devido ao conflito em curso. Dados recentes indicam que, em janeiro de 2022, o distrito de Belovski tinha aproximadamente 15 mil habitantes.
Casa parcialmente destruída após incursão de soldados ucranianos na região russa de Kursk — Foto: MIC Izvestia / IZ.RU via Reuters
A ofensiva ucraniana, com apoio de tanques e drones, causou danos significativos às forças russas, incluindo a destruição de diversos veículos e a rendição de soldados russos. A Rússia, por sua vez, declarou estado de emergência na região e mobilizou reservistas para reforçar a defesa, além de impor restrições ao espaço aéreo.
No domingo (11), o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky confirmou o ataque em território russo, rompendo com a estratégia anterior de não reconhecer publicamente ações ofensivas fora da Ucrânia. Em uma declaração, Zelensky mencionou ter discutido a operação com o comandante ucraniano Oleksandr Syrskyi, afirmando que a Ucrânia está pressionando o agressor e trabalhando para restaurar a justiça.
A invasão e a subsequente batalha, que já entrou no sexto dia, provocaram uma reavaliação urgente dos planos de guerra pelo presidente russo Vladimir Putin. A Rússia, que havia registrado avanços em alguns fronts durante 2023, agora enfrenta um desafio inesperado que pode alterar o equilíbrio da guerra.