O Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI) e procuradores do Departamento de Justiça americano abriram uma investigação preliminar para apurar operações financeiras da Associação do Futebol Argentino (AFA) realizadas em território norte-americano. O foco da apuração é a movimentação de mais de US$ 300 milhões em contratos comerciais e de patrocínio que passaram pelo sistema bancário dos Estados Unidos.
Segundo informações publicadas pelo jornal argentino La Nación e reproduzidas por veículos internacionais, os investigadores buscam verificar se parte das transações pode configurar crimes sob a legislação dos Estados Unidos, como lavagem de dinheiro, fraude bancária e irregularidades financeiras. Até o momento, a investigação permanece em fase preliminar e não há acusações formais contra a AFA ou seus dirigentes.
Empresa dos Estados Unidos está no centro da investigação
As apurações concentram-se na atuação da empresa TourProdEnter LLC, sediada na Flórida, responsável por administrar contratos internacionais da federação argentina com patrocinadores e parceiros comerciais.
De acordo com os investigadores, a empresa teria recebido recursos provenientes de contratos firmados com multinacionais como Adidas e Warner, movimentando aproximadamente US$ 300 milhões por bancos americanos, entre eles Citibank, Bank of America, JPMorgan e PNC Bank. Parte dessas transferências é considerada compatível com operações comerciais da entidade, enquanto outras seguem sob análise para verificar a origem e o destino dos recursos.
Depoimentos já foram colhidos
A investigação ganhou força após o FBI e procuradores federais começarem a ouvir empresários e pessoas ligadas às operações comerciais da AFA nos Estados Unidos. Um dos depoimentos confirmados foi o do empresário Guillermo Tofoni, ouvido por videoconferência durante cerca de três horas. Segundo a imprensa argentina, novas oitivas poderão ser realizadas para esclarecer a movimentação financeira da entidade durante a gestão do presidente Claudio "Chiqui" Tapia.
Investigação começou em 2025
Embora o caso tenha ganhado repercussão durante a Copa do Mundo de 2026, a apuração teve início ainda em 2025, quando promotores especializados em crimes financeiros passaram a analisar documentos sobre contratos internacionais administrados pela AFA. As autoridades americanas investigam se parte das operações financeiras utilizou o sistema bancário dos Estados Unidos de forma incompatível com a legislação do país, hipótese que justificaria a atuação do FBI e do Departamento de Justiça.
AFA afirma que investigação não significa culpa
Representantes da Associação do Futebol Argentino afirmaram que acompanham o caso e ressaltaram que a abertura de uma investigação não representa reconhecimento de culpa ou confirmação de irregularidades. Até o momento, nenhuma denúncia criminal foi apresentada contra a entidade ou seus dirigentes, e as autoridades norte-americanas também não divulgaram conclusões sobre a existência de crimes. A expectativa é que a análise dos documentos bancários e dos depoimentos determine se haverá abertura de uma investigação criminal formal.
Caso repercute durante a Copa do Mundo
A investigação ocorre em um momento de grande visibilidade para a seleção argentina, que disputa as fases decisivas da Copa do Mundo de 2026. A coincidência entre o avanço da equipe no torneio e a divulgação da apuração aumentou a repercussão internacional do caso. Especialistas ressaltam, entretanto, que a investigação diz respeito exclusivamente às operações financeiras da AFA e não envolve, até o momento, atletas, comissão técnica ou resultados esportivos da seleção argentina.