O governador Wellington Dias vai ter que acalmar os partidos que já integram sua base de sustentação na Assembleia Legislativa. O pânico se espalhou entre os aliados - ainda muito bem acomodados nos cargos que ocupam no governo - depois que WDias admitiu publicamente a aliança com o PMDB - a oficialização ainda não tem data para acontecer.
Quanto mais tempo esse "anúncio oficial" demorar, mais reações vão acontecer, principalmente do próprio PT, à entrada de novos apoios, como o PTC, PCdoB – e quem sabe até o PSB, do ex-governador Wilson Martins.
A senadora Regina Sousa entende a necessidade da recomposição das forças políticas que apoiam o governo Wellington Dias para superação das "crises" nos próximos dois anos, que serão decisivos para a permanência do PT no comando do Piauí. Porém, não esconde a preocupação com a chegada do PMDB. O medo dos petistas é o tamanho do espaço que o partido vai perder para acomodar os novos aliados.
Alheio à reação da militância, o PMDB já fala em secretarias, como se aliado fosse. O partido, dividido, reúne seus caciques neste final de semana para definir os cargos a serem ocupados no governo já a partir de dezembro – ou, no máximo, até o início de janeiro de 2017.
Uma banda do PMDB, liderada pelo presidente do partido, deputado federal Marcelo Castro, quer voltar a ser governo. Marcelo não só defende a aliança, como já fala em apoio à reeleição de Wellington Dias em 2018.
O outro lado, à frente o vice-presidente do PMDB, ex-ministro João Henrique Sousa, prefere manter distância do Palácio de Karnak. A pecha de “golpistas” e os ataques ao presidente Michel Temer são argumentos usados por João Henrique para manter distância do PT.
Também neste sábado (5), Wellington Dias se reúne com o presidente do PSD no Piauí, deputado Júlio César Lima, interlocutor da bancada do partido nas negociações por mais espaço no governo. Além do federal Júlio César, o PSD tem os deputados estaduais Antonio Félix, Dr. Pessoa e Edson Ferreira, hoje "escanteados". Só Georgiano Neto [filho de Júlio César], teve espaço no governo, indicando a direção da Adapi.
Outros encontros políticos vão acontecer ao longo da semana, decisiva para a reorganização da base. Na terça-feira (8), Wellington Dias vai a Brasília para um encontro com o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. Ciro garante que o PP não impôs nada, Caberá ao governador decidir. Mas as novas alianças passam necessariamente pela reforma administrativa, com esse ou aquele partido ganhando ou perdendo espaço no governo.
Em tempos de crise, de corte de gastos, de atraso de salários, de governos quebrados, como Rio de janeiro e Rio Grande do Sul, há até quem fale em criação de novas secretarias, como a do Agronegócio, para abrigar os recém-chegados ao Karnak. Até então indiferente ao trabalho do governador de se reforçar politica e administrativamente com vistas às eleições estaduais, daqui a dois anos, a oposição, com certeza, não vai engolir calada.