Vítima acusou PM do Rone antes de morrer

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Adriano da Silva Sousa, de 25 anos, foi assassinado na noite de domingo (12) com pelo menos seis tiros no bairro Renascença II, Zona Sudeste de Teresina. Familiares e amigos da vítima denunciam um policial militar, lotado no Batalhão de Rondas Ostensivas de Natureza Especial (BpRone), como sendo o suspeito de cometer o crime. Segundo relatos de testemunhas, minutos após o crime acontecer, PMs foram ao local e recolheram os projéteis.

"O crime aconteceu por volta de 21h. Meu filho estava na porta de casa quando foi assassinado. Eu escutei os tiros e olhei por uma abertura que há no portão e vi meu filho ferido. Corri para tentar socorrê-lo e ainda agonizando ele disse o nome da pessoa que tinha atirado nele”, afirmou o pai da vítima, Afonso dos Santos.

Conforme o pai, o motivo do crime teria sido uma discussão com o irmão do militar. “Meu filho discutiu com o irmão do PM e desde então estava jurado de morte, mas não aceito ele querer corrigir um erro tirando a vida dele. Por que ele não prendeu? Quero justiça e que este assassino seja punido”, declarou.

Vizinhos relaram que após os disparos, dois policiais militares chegaram ao local em uma motocicleta, mas não procuraram testemunhas do crime. “Achei estranho a postura deles porque não procuraram testemunhas e nem familiares do rapaz. Apenas ficaram observado o desespero da família ao procurar um carro para socorrer o rapaz. Somente após a chegada de uma viatura do BpRone, eles começaram a procurar cápsulas no chão. Encontraram algumas e foram embora”, disse um vizinho, que preferiu não se identificar.

O rapaz foi levado por populares para um hospital do bairro e depois encaminhado para o Hospital de Urgência de Teresina, onde não resistiu aos ferimentos e faleceu.

O circuito interno de segurança de uma residência filmou o assassinato. Pelas imagens é possível ver um homem se aproximando do rapaz em uma motocicleta, fazendo vários disparos e fugindo. Como o suspeito usava capacete não é possível identificá-lo, mas familiares não possuem dúvidas de que se trata do policial.

Agentes da polícia civil estiveram no velório de Adriano dos Santos na manhã desta segunda-feira (13), mas não falaram com a imprensa. De acordo com Afonso dos Santos, os policiais orientaram a família a registrar um boletim de ocorrência contra o militar na Corregedoria da PM.

O coordenador da Delegacia de Homicídios, delegado Francisco Barêtta, afirmou que a morte será investigada e caso seja comprovada a participação do militar ele será punido. Barêta disse ainda que a denúncia de que outros militares mudaram a cena do crime também será investigada e se confirmado, eles serão presos por fraude processual.