Trabalhadores da Seduc tem descontos no contracheque para falsa cooper

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Dezenas de trabalhadores em Educação, principalmente os mais humildes, estão tendo descontados em seus contracheques contribuições para uma falta cooperativa. Pelas denúncias chegadas à reportagem do DP, o crime envolve pessoas de dentro do Governo porque as vítimas dizem que nunca autorizaram tal descontos. Com o nome de Cooperse, a falsa cooperativa dá como endereço a Rua Riachuelo, 1472, no bairro Vermelha, mas a reportagem constatou que o local é uma oficina abandonada.

Uma das vítimas do golpe é a funcionária pública estadual Domingas Sales de Araújo que durante muitos anos trabalhou como auxiliar de serviços gerais da Secretaria de Educação. Doente, Domingas, começou a ser vítima do golpe a mais de cinco anos, em 2008.

Segundo cópia do contracheque de Domingas, que a reportagem teve acesso, em novembro de 2011 ela teve descontado do seu contracheque, R$ 42,00, sendo descriminado na seguinte maneira: R$ 40,00 como se ela fosse filiada a Cooperse, que na internet aparece como especializada em cooperativa de consumo e mais R$ 2,00 para “manutenção” da citada cooperativa.

Pela descriminação dos descontos nos salários da aposentada o dinheiro que vai para a Cooperse é o terceiro maior valor, ficando atrás apenas de um empréstimo que Domingas fez junto ao Banco do Brasil e da contribuição para o Plamta, este no valor de R$ 91,50. O dinheiro retirado da aposentada que reside na região do Dirceu Arcoverde é cerca de 8%.

Apesar de parecer pouco, para a aposentada o dinheiro faz muita falta haja vista que o valor é cerca de 15 vezes o que ela recebe como salário família.  A reportagem constatou que até dois meses a funcionária pública continuava a ter o desconto indevido no seu contracheque, sendo que a situação piorou porque o desconto mais que dobrou e estavam sendo retirados da aposentada R$ 85,00.

Sem saber a quem recorrer para acabar com a farra com os seus parcos vencimentos, haja vista já ter procurado a Secretaria de Educação várias vezes e pedir o fim da “contribuição”, mas sem sucesso, a aposentada procurou o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Piauí onde uma equipe do departamento Jurídico, depois de muita luta, conseguiu suspender os descontos.

Após vencer a primeira batalha a aposentada não teve tempo para descanso e já luta para receber o dinheiro descontado sem autorização do seu contracheque. Apesar de já ter procurado a Secretaria de Educação várias vezes, agora para que seja ressarcida, Domingas ainda não sabe nem se terá sucesso, pois sempre que procura o órgão esbarra na má vontade e burocracia, mostrando que os valores são inversos: para descontar sem autorização foi fácil, mas para ressarcir o prejuízo é difícil.