Todas as armas de batalhão são recolhidas pela PM

A juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros em 11 de agosto Assassinato Batalhão Armas

Cerca de 90 homens da Divisão de Homicídios (DH) cumprem 18 mandados de busca e apreensão nesta terça-feira. Os agentes tentam encontrar as armas utilizadas no assassinato da juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros em 11 de agosto, em Niterói, na casas de militares do Grupo de Ações Táticas (GAT) do 7º Batalhão acusados de participar da morte de um jovem de 18 anos, no dia 3 de junho, no Morro do Salgueiro, em São Gonçalo. A DH também cumpre mandados na residência de pessoas próximas aos PMs.


Os três policiais militares acusados de matar a magistrada vão prestar depoimento às 14h desta terça-feira na Divisão de Homicídios. O tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes e os cabos Sergio Costa Júnior e Jefferson de Araújo Miranda passaram a noite de segunda-feira na delegacia e serão ouvidos individualmente.

Armas do 7º BPM são apreendidas

Um total de 695 pistolas e revólveres do 7º BPM (São Gonçalo) foi apreendido nesta segunda-feira por policiais da Delegacia de Homicídios (DH). As armas vão passar por perícia para verificar se foram utilizadas na morte de Patrícia Acioli. Os policiais também cumpriram outros 15 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos três PMs acusados de participação no crime.

Na tarde desta segunda-feira, o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes e os cabos Sergio Costa Júnior e Jefferson de Araújo Miranda, apontados pela polícia com os assassinos da magistrada, como O DIA antecipou com exclusividade na segunda-feira, chegaram à Delegacia de Homicídios para cumprir o mandado de prisão.

De acordo com a advogada dos três PMs, Alzira de Castro Garcia, os policiais foram pegos de surpresa com o decreto de prisão temporária pelo assassinato da juíza. Ela afirma que os suspeitos nem imaginavam que estavam sendo acusados de tal crime.

Armas substituídas

No Tribunal de Justiça do Rio, o delegado da Homicídios, Felipe Ettore, disse que a morte de Patrícia foi a forma que os PMs tiveram de tentar evitar a prisão pela morte de um rapaz de 18 anos em 3 de junho, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.

“Eles não sabiam que os mandados haviam sido expedidos pouco antes da execução”, revelou. Outros cinco policiais do Grupo de Ações Táticas do 7º BPM são investigados por forjarem o auto de resistência. Todos estão presos na Unidade Prisional — antigo BEP.

As buscas da Delegacia de Homicídios foram em Jacarepaguá e Senador Camará, na Zona Oeste do Rio; em Maricá, na Região dos Lagos; e em São Gonçalo, Região Metropolitana. Os agentes vistoriaram a casa dos três policiais militares acusados de matar a juíza e também fizeram incursões nas casas de seus familiares. Até mesmo os armários que os PMs utilizavam nos batalhões foram revistados.

Sem celulares e ajuda de outro BPM

De acordo com Antônio Siqueira, da Associação de Magistrados do Rio, há a suspeita de que os acusados tenham tido o auxílio de policiais do batalhão vizinho. “As imagens mostram viatura do 12º BPM (Niterói), que não tinha GPS, no dia 11 de julho, quando reconheceram a área. No dia da morte, os celulares deles foram rastreados na área do Fórum de São Gonçalo e em Piratininga, mas foram desligados antes do crime, atitude que contraria a rotina dos PMs”.

O presidente do TJ, desembargador Manoel Alberto Rebêlo, tentou justificar novamente a ausência da escolta da juíza, alegando que a proteção não poderia impedir sua morte. “Esses elementos decidiram naquele momento que iriam matá-la. A escolta previne, mas não evita por completo. O crime não tem relação com outras ameaças”, afirmou.

Protesto e missas

Com faixas e camisas pretas, parentes de Patrícia realizaram protesto silencioso durante missa, na Candelária, que marcou um mês da morte da magistrada. A cerimônia, organizada pela Associação de Magistrados do Estado do Rio e celebrada pelo arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, contou com a presença do ministro do Supremo Tribunal de Justiça, Luis Felipe Salomão, e o desembargador do Tribunal de Justiça, Siro Darlan.

Juízes usaram adesivo na roupa pedindo segurança na magistratura “Quem atirou é uma coisa, quem mandou matar é outra”, afirmou Márcia Acioli, irmã da juíza.

As faixas, com os dizeres “Aos órfãos da Justiça foste mãe gentil”, “Não fugiste à luta nem temeste a morte” e “Faxina geral na PM. Zero um, pede pra sair”, foram exibidas na entrada da igreja. Em Niterói, a ONG Rio de Paz colou cartazes sobre a juíza em árvore na Praia de Icaraí. À noite, família participou de missa na Igreja Santuário das Almas, em Icaraí, e distribuiu adesivo para carros com símbolo da Justiça chorando.

Munição era da Polícia Militar

Investigação da polícia mostrou que cartuchos apreendidos no local da execução da juíza faziam parte de lote de 10 mil munições calibre 40 enviadas, entre outros, para o 7º BPM (São Gonçalo), como publicou com exclusividadeO DIA, em 22 de agosto.

No dia 28, foi revelado que imagens de câmeras registraram encontro de policiais do 7º BPM com dois homens pouco antes do assassinato, perto do fórum. Um deles foi reconhecido como réu em processo a cargo dela. Documentos publicados por O DIA mostram que Patrícia alertou ao TJ várias vezes sobre ameaças, mas ficou sem escolta.