\"Temos que sair da senzala\", diz primeira juíza negra do Brasil

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Em palestra realizada neste sábado (22), no auditório da OAB Piauí, a juíza e desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça da Bahia, Luislinda Dias de Valois Santos, atacou o atual sistema jurídico e defendeu a implementação de políticas públicas para os direitos das pessoas negras.



Segundo a magistrada baiana, que é a primeira juíza negra do Brasil, o racismo e a discriminação com pessoas negras no país ainda é muito forte, sobretudo, porque os negros não possuem cargos de comando. Luislinda, em um discurso emocionante sobre igualdade racial, defendeu a implantação de cotas e outras políticas sociais.



“O único direito que o negro tem é não ter direito. Não podemos pensar que os brancos vão legislar por nós. Temos é que nos unir e fazer as nossas leis. Temos que sair da senzala”, afirma a desembargadora Luislinda Valois.



A palestra fez parte do 1º Seminário Estadual de Direitos Humanos e Diversidades, realizado pelo Grupo Matizes, em parceria com a Corregedoria Geral de Justiça (CGJ-PI).



O evento, que acontece desde quinta-feira (20) e encerrou hoje, abordou temas polêmicos, como direitos dos animais, direitos LGBT, direito de pessoas com deficiência, entre outros. Participaram cerca de 650 pessoas, entre estudantes de direito e serviço social, professores e militantes de movimentos sociais.



De acordo com a coordenadora de relações institucionais do Matizes, Marinalva Santana, o evento foi um sucesso, principalmente, devido à qualidade dos debates e das palestras. “Acertamos muito na escolha dos palestrantes convidados”, ressaltou.



A militante diz que o Matizes realizará, em breve, um seminário em parceria com o Poder Legislativo. “Estamos nos articulando e já contamos o apoio da deputada Margareth Coelho e do deputado Fábio Novo”, reitera Marinalva.