Sobe para dez número de mortos na Chatuba

A Polícia Civil localizou hoje à tarde na área conhecida como Curral, na Chatuba, enterrados em um



Uma das vítimas localizadas pela polícia foi identificada pela família, por meio de uma tatuagem e das roupas do corpo, como José Aldeci da Silva Júnior, de 17 anos, que tinha saído de casa em Nilópolis para caçar passarinhos na mata e foi surpreendido pelos traficantes, sequestrado, torturado e morto. A outra, encontrada no mesmo lugar, ainda não foi identificada pela Polícia Técnica.

Seis jovens assassinados por traficantes de drogas na fim de semana tinham saído de Nilópolis para tomar banho em uma cachoeira, na parte de mata fechada no município de Mesquita, onde os traficantes da Chatuba, tinham acampamentos montados e escondiam as armas pesadas da quadrilha.

Além deles, o diácono Alexandre Lima, 37 anos, de uma igreja evangélica de Nilópolis, saiu para caminhar no sábado pela manhã, na área de mata, ouvindo música gospel com um fone de ouvido. Segundo testemunhas do crime, ele foi assassinado por traficantes por não ter ouvido a ordem de parar e foi atingido por tiros.

A décima vítima do mesmo grupo foi um aspirante a cadete da Polícia Militar (PM) que estava com uma namorada em um bar na região e foi levá-la em casa na Chatuba. Na volta, o cadete se perdeu pelas ruas da comunidade e foi cercado por traficantes armados.

Por desconhecer o esquema de entrada de carros na favela, onde os veículos têm de estar com o farol desligado e o pisca-alerta aceso, o militar foi parado pelos bandidos. Por não ter ido comprar drogas e não ser morador da área, foi revistado e a carteira de militar foi encontrada pelos traficantes. Ele foi assassinado com um tiro na cabeça.

O delegado Júlio da Silva Filho, encarregado do inquérito, apresentou hoje dois adolescentes de 15 e 16 anos apreendidos pela polícia e que teriam participado diretamente das execuções. O policial disse que os dois participaram das mortes dos seis jovens e várias testemunhas dos crimes já tinham passado informações sobre os menores na participação das execuções.

O diretor-geral de Polícia Técnica e Científica, Sérgio Henriques, esteve na Delegacia de Mesquita e comentou os laudos da perícia. Segundo ele, todos os seis jovens assassinados "tinham marcas de tortura, facadas na região do pescoço e tiros à queima-roupa na cabeça".

A Polícia Militar continua ocupando a comunidade da Chatuba, em Mesquita, por tempo indeterminado. Homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque da PM, com auxílio de dois blindados e cães farejadores fazem patrulhamento dia e noite na região.

Prisões decretadas

O juiz Márcio Alexandre Pacheco da Silva, da 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, decretou hoje (13), a prisão temporária, pelo prazo de 30 dias, de cinco suspeitos de envolvimento na morte de seis rapazes no Parque de Instrução de Gericinó, na Chatuba, área pertencente ao Exército, entre os municípios de Mesquita e Nilópolis, na Baixada Fluminense.

Foram expedidos mandados de prisão para Remilton Moura da Silva Junior, Marcus Vinicius Madureira da Silva, Jonas Santos Pereira, Fernando Domingos Pereira Simão e Luiz Alberto Ferreira de Oliveira.

A prisão foi pedida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, em razão dos fortes indícios da participação dos suspeitos no crime e por ser imprescindível para a conclusão das investigações. Na decisão, o juiz diz que “o crime chocou a sociedade brasileira, dada a barbárie com que atuaram os executores contra jovens inocentes, não só lhes ceifando a vida, como também massacrando seus corpos como se fossem farrapos, como se tecidos fossem, e não humanos”.