Servidora perde R$ 30 mil com redutor de salários no Senado

A decisão de corte dos supersalários no Senado chegou a reduzir em R$ 30,7 mil a remuneração de uma

A decisão de corte dos supersalários no Senado chegou a reduzir em R$ 30,7 mil a remuneração de uma única servidora, o que revela as distorções dos pagamentos no Congresso Nacional até o Tribunal de Contas da União (TCU) determinar o cumprimento do teto constitucional. O Senado é uma caixa-preta e não informa a relação dos maiores cortes na folha de pagamento de outubro, quando começou a ser cumprida a decisão do TCU. A reportagem do GLOBO identificou, no entanto, algumas das principais reduções.

A assessora legislativa Sarah Abrahão, 86 anos, que ocupa uma função de confiança na Secretaria Geral da Mesa, deixou de receber os R$ 17,1 mil pagos até setembro pelo desempenho do cargo comissionado. Sarah já é aposentada do Senado e, em razão de diversas vantagens salariais acumuladas, tem a aposentadoria abatida em outros R$ 13,6 mil para se adequar ao teto. A redução, portanto, soma R$ 30,7 mil, valor superior ao próprio teto de R$ 28 mil, que é a remuneração paga a um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Se não fossem os descontos, Sarah estaria recebendo R$ 58,8 mil brutos — R$ 41,7 mil da aposentadoria, que incorporou vantagens pessoais e remunerações por cargos de confiança, e R$ 17,1 mil da função comissionada. O abate-teto já vinha sendo aplicado na aposentadoria, o que não ocorria com a remuneração pelo cargo comissionado.

Agora, a servidora recebe R$ 28 mil, o valor do teto. Sarah ingressou no Senado em 1960 e é considerada a funcionária mais antiga da Casa. Já exerceu o cargo de secretária-geral da Mesa e, em 2001, passou a desempenhar uma função de confiança na secretaria. O GLOBO ligou para a unidade onde ela esta lotada. A informação foi que Sarah está de férias.