Salário de médicos brancos na pandemia é de 18,7% a mais que de médicos negros

Os dados são de um levantamento feito pela plataforma Quero Bolsa

Um levantamento realizado pela plataforma Quero Bolsa constatou que durante os seis primeiros seis meses do ano, período em que o Brasil enfrentou a pandemia da Covid-19, houve uma explosão de contratações de profissionais de saúde e que o número de contratações de médicos brancos foi maior que o de médicos negros. Outro ponto que chama atenção é que os médicos brancos ainda foram contratados para receber salários em 18,7% a mais que negros durante a pandemia.

O estudo foi feito com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Foram registradas 3.927 contratações de médicos brancos contra 2.197 dos negros (pretos e pardos). Ambos os números correspondem a 56,1% e 31,4% do total de 7.001 profissionais contratados com ensino superior no período. O salário médio das admissões também foi maior, com R$ 6.950,73 para profissionais brancos e R﹩ 5.855,96 para negros.

Entre os estados, o Pará é onde a diferença de salário é maior, com remuneração 43,1% maior para brancos. O inverso acontece em São Paulo, em que profissionais brancos recebem salário 15,7% menor. Espírito Santo é o que mais se aproxima da igualdade, com apenas brancos recebendo salário 0,38% menor.

Enfermagem segue tendência, mas em menor escala

Entre os profissionais com ensino superior contratados para a carreira de enfermagem (37.296), 46,1% deles eram brancos (17.186) e 40,1% eram negros (14.957). Na média nacional, os profissionais brancos receberam uma remuneração média de R﹩ 3.658,92, correspondente a 12,6% a mais que os R﹩ 3.248,50 que profissionais negros receberam.

Analisando a nível dos estados, considerando aqueles com pelo menos 10 enfermeiros brancos e 10 negros contratados, em 14 deles profissionais brancos recebem mais do que profissionais negros e em 10 deles acontece o contrário.

O estado com maior diferença entre o salario de enfermeiros brancos em relação a negros está no Amazonas, com 135% a mais. O contrário acontece em Sergipe, com brancos recebendo 28,9% a menos. O mais próximo da equidade é Goiás com enfermeiros brancos recebendo 0,67% a mais.