Sair de casa virou aventura: o programa é por sua conta e risco.

A noite é uma criança! Você tem certeza disso? De uns tempos para cá - e já se vão muitos janeiros - qualquer voltinha fora de casa virou aventura. O programinha é por sua conta e risco. E não estamos falando do bandido que aponta o trabuco, chama você de vagabundo e diz “perdeu”. A coisa é séria. Sair é a maior roubada. A começar pelo trânsito. Um inferno! Ruas lotadas de carros, motos aos milhões. Parece praga, a multiplicação de bizz. Deus nos abençoe! O flanelinha rodando a camiseta acena para a vaga. Acabou o sossego. O garçom indica a mesa, o cantor desafinado atravessa a letra olhando para o derrière da digníssima. E você virou refém da noite.  "Resgate" vendendo bala e confeitado – “melhor uma bala que um tresoitão na cara”;  a velha senhora oferecendo saquinhos de bombom; a dupla de repentistas chamando você de doutor e a patroa de princesa; o moto-vendedor, com caixas de ovos de codorna ainda quentes, castanha e amendoim,  como se você tivesse necessitado, na precisão; a mãe banguela carrega escanchada na cintura a pequena Larissa Manuela - menina linda de pouco mais de um ano,  o filho Antônio, com a camisa do Flamengo, corre nas mesas pedindo ajuda e a sobrinha Cristina, põe na sacola para levar para casa. A fauna noturna está por perto: gato, boi... A nóia com a cabeça cheia de “brita”. [...] A cerveja “caldo”, a picanha cara, sapecada e fria. A demora na hora da conta - o "se colar" vem junto!  Não  estamos aceitando cheque,  nem cartão. O dinheiro já era!. Sobrou pro flanela. Retorno. O medo. Garagem, chuveiro.  Coisa boa é estar em casa. Ver o mundo pela janela.