Polícia resgata trabalhadores em regime de semi-escravidão no Piauí

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Os 13 homens executavam o roçado de um grande terreno que posteriormente se transformaria em um loteamento. Sem receber condições adequadas, eles dormiam em uma barraca feita com estacas e coberta por uma lona no meio de um matagal. A alimentação era feita no mesmo local em fogueiras improvisadas e as necessidades fisiológicas também eram feitas no meio do mato sem nenhum tipo de higiene. Damião Gerônimo mandou buscar os trabalhadores na cidade de Manoel Emídio, a 170 km de Bom Jesus, em um “pau de arara”.

Segundo o depoimento prestado à polícia pelos trabalhadores, eles não conseguiam sair da fazenda, pois estavam sempre em dívida com o proprietário, que cobrava pela alimentação fornecida. “O salário combinado com o proprietário teria sido de R$ 50 por tarefa (lote roçado), tendo sido elevado posteriormente para R$ 80. Eles disseram que a comida acabava saindo mais cara do que o próprio salário. Ao perceber que estavam pagando para trabalhar tentaram sair do emprego, mas não conseguiam pagar as dívidas”, conta o delegado regional de Bom Jesus, Tiago Rabelo.

De acordo com o delegado, o dono do loteamento é Damião Gerônimo de Medeiros, grande proprietário de terras na região. “No momento em que constatamos que as acusações eram verídicas fomos a busca de prender o fazendeiro, mas ele deve ter ficado sabendo e conseguiu fugir. Ainda não temos pistas de onde ele se encontra”, afirma.

As vítimas foram resgatadas e levadas ao seu município de origem, a cidade de Manoel Emídio, a 170 km de Bom Jesus. “Nós demos alimentação e depois levamos todos de volta à sua cidade natal, pois eles não tinham condições nem para comer”.