Piauí teve 592 armas apreendidas no ano passado

armas apreendidas piaui 2010

O Piauí tem 592 armas apreendidas por ano, o que dá uma média de 4,92 por cada mil armas existentes no Estado.

Já o Brasil tem hoje 16 milhões de armas de fogo, sendo que 80% estão nas mãos de civis, e ocupa o primeiro lugar no ranking de crimes por arma de fogo no mundo, com 34,3 mil homicídios anuais. Para especialistas da área de segurança pública, esses números são reflexo das brechas oferecidas pela legislação brasileira. Em relação ao Piauí, 62% das armas existentes estão nas mãos dos civis.

Esses números fazem parte do Mapa do Tráfico Ilícito de Armas no Brasil e o Ranking dos Estados no Controle de Armas, levantamento divulgado pelo Ministério da Justiça em parceria com a ONG (Organização Não-Governamental) Viva Rio.

O número reflete o crescimento da compra de armas de fogo por civis no Brasil. Além disso, no Brasil, segundo o Ministério da Justiça, 80% dos crimes cometidos com armas de fogo dizem respeito a conflitos pessoais como briga de vizinhos e no trânsito, motivação passional, entre outros. Ou seja, as armas de fogo estão sendo usadas para resolver problemas pessoais, e não por questão de segurança, mostra o levantamento do ministério.

Depois da aprovação do comércio de armas no referendo nacional, em 2005, as vendas de armas no país cresceram 70%, segundo a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC) do Exército. Só em 2009, foram vendidas 116,9 mil armas, quase o dobro de 2005.

Especialistas dizem que as brechas na legislação brasileira facilitam a compra e acesso - legal ou ilegal - dos cidadãos às armas, sem que haja um controle eficaz sobre as mesmas.

Comparado com países com o EUA e os da Europa, o número de armas nas mãos de cidadãos no Brasil é relativamente baixo. No entanto, esses países apresentam baixos índices de violência comparados com o Brasil, o que torna necessário uma legislação mais rígida no nosso país.

Pela lei, policiais civis, militares e bombeiros são fontes legais de armas, já que têm direito a adquirir três armas por ano a preço de fábrica.

Um bombeiro não deveria ser autorizado a armar-se. As armas de policiais não sofrem controle rigoroso, o que viabiliza a participação ativa de segmentos policiais corruptos no tráfico de armas, dizem os especialistas. 8 em cada 10 armas ilegais apreendidas no Brasil são de fabricação nacional, número que desmistifica a ideia de que a maioria das armas em circulação no país é estrangeira.

Das armas que vêm de fora, 59,2% vêm dos EUA, 16,7% da Argentina, 6,9% da Espanha, 6,4% da Alemanha e 4,1% vêm da Bélgica

O último estudo da Unesco sobre o assunto, publicado em 2005, mostra que o controle de armas salva vidas. Em países como Austrália, Inglaterra e Japão, onde as armas são proibidas, são onde menos se mata com arma de fogo.

O Brasil segue todas as normas internacionais, imposições da ONU, fiscalização do comércio, testes psicológicos. Nesse aspecto, o Brasil hoje serve de modelo para muitos outros países.

Os especialistas pregam mudanças em alguns pontos da legislação, entre elas, a utilização dos mesmos critérios usados para cidadãos comuns para categorias diferenciadas, ou seja, exigência de testes psicológicos, certidões negativas da Justiça e capacidade técnica para atiradores esportivos e colecionadores, por exemplo, que podem usar o armamento para praticar crimes leves, como roubos e furtos.