Oposição na Assembleia se esbalda com "fogo amigo"

Quem viu e ouviu, durante o pequeno expediente da sessão ordinária desta terça-feira (17) na Assembleia Legislativa, a defesa do requerimento feita pelo deputado João Mádison (MDB), cobrando explicações do secretário de Estado da Saúde, Florentino Neto, pelo atraso de quatro meses nos repasses das verbas para o Hospital Regional de Corrente, pensou que o parlamentar tinha mudado de lado e aderido à oposição.

João Mádison reclamou que o hospital de Bom Jesus está bem cuidado, enquanto o de Corrente, no extremo Sul do Piauí foi abandonado, sem dinheiro sequer para pagar médicos e outros servidores daquela unidade, que atende a milhares de piauienses na região.

O deputado Júlio Arcoverde, presidente do Progressistas no Piauí, reforçou as palavras de João, o que também causou estranheza de quem assistia a sessão no Plenário, via as imagens pela TV Assembleia ou ouvia os discursos pela Rádio FM Assembleia.

Os adversários do governo, claro, aproveitaram a deixa para alfinetar a postura dos aliados do governador Wellington Dias em criticar o secretário, “que Parnaíba defenestrou”. Houve até quem afirmasse que a oposição não aceitava qualquer adesão, tinha que ser ficha limpa para ingressar nela, uma ironia à fala dos governistas.

O líder do Governo, Francisco Limma (PT), explicou que já foram liberados R$ 500 mil para o hospital de Corrente. E que novos repasses vão acontecer nos próximos dias.

Já o deputado Fábio Novo, líder do PT na Assembleia, lembrou que a Secretaria de Estado da Saúde aplicou R$ 1,5 milhão na aquisição de equipamentos para o hospital de Corrente e destacou que ocorreram avanços na saúde em todo o Estado, inclusive a realização de centenas de cirurgias durante os mutirões realizados em vários municípios.  

A oposição então voltou à carga - afirmando que tinha alguém mentindo - antes de subscrever o requerimento de João Mádison, que acabou aprovado por unanimidade. "Quem tem aliados como esses não precisa de inimigo", repetiam os opositores de Wellington Dias. Com um sorrisão, que ia de orelha a orelha.